quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O INFINITO EM OUTRAS VOLTAS - Capítulo 02



O maior desejo de Paula naquele momento foi ter um buraco onde pudesse se enfiar ou quem sabe... Ser capaz de voltar no tempo e não estar ali... Completamente despida na cama de Letícia, enquanto a namorada dela berrava e esmurrava a porta do lado de fora do apartamento:

- Letícia, abre essa porta! Que merda!

Levantou, juntou as roupas no chão e começou rapidamente a vestir-se.

A tentativa de Letícia tranquilizá-la só tornou tudo pior ainda:

- Calma, eu não vou abrir.

O barulho parou um pouco. O suficiente para Paula ir até a sala, com Letícia atrás dela:

- Paula... Me escuta... Eu juro que eu não...

Foi interrompida pelas batidas e gritos, que voltaram com mais fúria ainda:

- Tem alguém com você? Letícia, eu não acredito! De novo? Tem outra vagabunda aí?

Depois a voz se tornou chorosa:

- Você prometeu... Jurou que não ia mais me trair...

O celular de Letícia começou a vibrar e a tocar em cima da mesa...

Paula sentou na primeira poltrona que encontrou, sem saber o que pensar, o que dizer, muito menos o que fazer...

Letícia ajoelhou na frente dela, segurou Paula carinhosamente pelos braços e pediu:

- Por favor... Me deixa falar...

Não tentou se desvencilhar, foi imperativa:

- Me solta.

De um jeito impossível de não ser obedecido.

Quando as mãos de Letícia se afastaram, Paula levantou a cabeça, olhou dentro dos olhos dela e disse:

- Eu quero ir embora... Agora.

Num único impulso, Letícia levantou... Ficou andando em círculos... Enquanto a mulher lá fora continuava... Aos gritos:

- Letícia, sua filha da puta! Eu não vou embora enquanto você não abrir!

Havia um constrangimento nítido... Quando Letícia parou de novo na frente de Paula e pediu:

- Desculpa por te colocar nessa situação.

A frase foi a gota d’água, fez Paula levantar e esbravejar:

- Não, eu não desculpo, não vou desculpar nunca, isso é indesculpável!

Percebeu que estava gritando...

Respirou fundo, tentando conter-se... Inútil.

Voltou a sentar na cadeira, manteve os olhos fixos no piso de madeira clara. Naquele momento, se voltasse a olhar para Letícia, seria capaz de matá-la.

Não pediu, exigiu:

- Resolva isso.

Letícia virou de costas para ela, cobriu o rosto com as mãos... Ficou um tempo assim... Respirando de um jeito audível...

Quando voltou a olhar para Paula, o olhar dela tinha mudado, estava... Profundamente abatido:

- Eu vou sair, você tranca a porta atrás de mim e espera um pouco. Vou levar ela daqui e aí... Você pode ir.

Fez uma pausa antes de completar:

- Tranca a porta e leva a chave.

Não precisou falar:

“Depois eu pego com você.”

Ficou no ar, como se tivesse dito.

A última coisa que Paula queria era vê-la de novo... Depois daquilo.

- Não.

Negação que se perfazia, inteiramente compreendida:

- Pode deixar com o porteiro se preferir.

Com um gesto de cabeça, Paula assentiu.

Seguiu Letícia até a porta. Ela estendeu a mão, chegou a tocar a maçaneta, mas não abriu. Soltou, virou-se, olhou para Paula e, da mesma forma repentina, beijou-a... De um jeito apaixonado, intenso, desesperado...

Paula correspondeu com uma reciprocidade absolutamente irracional, que foi incapaz de impedir ou controlar...

Quando finalmente se separaram, as duas estavam sem ar. E Paula poderia jurar... Ter visto uma lágrima escorrendo no rosto de Letícia, mas... Antes que pudesse ter certeza, ela se virou, abriu a porta e saiu.

Deixando Paula sozinha... Numa confusão inexorável.





Quando Letícia voltou para casa, ainda trazia, lá no fundo, uma pequena esperança... Que se desfez quando o porteiro lhe entregou a chave do apartamento.

Não que ela realmente acreditasse na possibilidade de Paula ainda estar lá depois da situação absolutamente lamentável. Conhecia-a bem demais para saber. Apenas... A razão não era capaz de desfazer a expectativa, por mais improvável, do que mais desejava: que ela estivesse lá.

Não subiu, voltou para a garagem.

Ficou sentada dentro do carro durante um tempo que não saberia determinar, olhando para o celular... Mais especificamente, para o número do celular de Paula...

Numa luta interior sobre se deveria ou não ligar.

Mais uma vez, a vontade venceu a racionalidade. Na verdade, sequer chegou a decidir-se, o dedo escorregou fazendo o que o corpo inteiro pedia.

Chamou... Chamou... E chamou...

Até cair na caixa postal.

Esperou um instante ínfimo e repetiu... Umas cinco ou seis vezes... Até finalmente ter certeza de que era proposital.

Paula não tinha atendido.

Ela tinha mais de uma razão, era mais do que merecido.

Pensamento que fez Letícia suspirar e desistir em definitivo.

Voltou a ligar, dessa vez com outro objetivo. Foi imediatamente recebida:

- Letícia?

A preocupação e o estranhamento na voz do outro lado só não eram maiores do que o alívio de Letícia:

- Mãe? Tá em casa?

A resposta foi rápida, ainda apreensiva:

- Estou, por quê?

Letícia pediu com uma cautela quase constrangida:

- Será que eu... Posso ir aí?

A voz de Carla soou absolutamente acolhedora:

- Claro que sim.





Tentou disfarçar, sem resultado. Bastou a mãe colocar os olhos nela para perguntar:

- Que houve?

Contrário a tudo que queria e precisava, disse apenas:

- Nada.

Carla sorriu:

- Letícia... Para você estar acordada, sozinha e me procurar num sábado de manhã é por que com certeza, aconteceu algo muito grave.

Letícia suspirou...

E tentou encontrar um tom que desse às palavras um peso mais leve do que realmente continham:

- Eu estive com a Paula.

Não precisou dizer mais do que isso, a mãe compreendeu. Estava escrito na expressão dela e no jeito que propôs:

- Vamos conversar num lugar onde possamos ficar mais à vontade?

Foram para a sala de estar. Carla fechou a porta atrás dela, sentou-se ao lado de Letícia no sofá e ficou esperando até que ela finalmente falasse... De uma só vez, num desabafo:

- Eu fui numa festa ontem com o pessoal do estágio. A Paula estava lá, beijando uma garota, eu enlouqueci quando vi. Não suportei ver ela com outra, foi impossível me controlar. Fui atrás dela no banheiro e nós ficamos. Levei ela pro meu apartamento, passamos a noite juntas e foi... Perfeito, maravilhoso... Mas hoje de manhã acordamos com a Bia gritando e esmurrando a porta e...

A interrogação no olhar da mãe fez Letícia explicar:

- Bia é a minha namorada.

Carla riu... Com a mesma desaprovação indignada com que disse:

- Desculpa, mas eu não consigo gravar os nomes, é tudo tão rápido que...

Parou e respirou...

Tentando evitar mais uma das discussões que tinham se tornado tão habituais a ponto de afastá-las.

Prosseguiu de uma forma bem mais suave:

- Você disse para a Paula que tinha namorada antes de levá-la para o seu apartamento?

A displicência na voz de Letícia ao responder:

- Mãe... Na hora eu nem me lembrei disso.

Fez a exasperação de Carla voltar:

- Não lembrou que tinha namorada?

O tom de Letícia foi quase agressivo:

- Quando você se encontrava com a Júlia lembrava que o meu pai existia?

Teria sido eficaz. Se a culpa fosse maior do que a preocupação e a empatia que Carla sentia pela filha. Era como se visse... A história se repetindo... Dessa vez do outro lado.

Olhou profundamente para Letícia ao questioná-la:

- Está me dizendo que ama a Paula?

Letícia ficou imediatamente na defensiva:

- De onde você tirou isso?

Carla sorriu sem nem sentir:

- Você acabou de comparar o reencontro de vocês ao meu com a Júlia.

Soube que não tinha sido compreendida assim que Letícia abriu a boca e praticamente cuspiu, de um jeito absolutamente irônico:

- Longe de mim querer comparar qualquer coisa ao amor eterno, perfeito e mortalmente irritante de vocês duas.

Levantou, afastou-se e ficou de costas para a mãe, os braços cruzados.

Com uma paciência que nem sabia que tinha, Carla também se levantou e, carinhosamente, fez a filha virar-se:

- Letícia... Olha pra mim.

Ela não resistiu. Acariciando o rosto dela, num tom muito parecido com o que usava quando ela era menina, Carla pediu:

- Responde a minha pergunta.

Foram interrompidas por batidas na porta.

Carla disse:

- Entra.

E Sheila apareceu:

- Desculpe interromper. Oi, Letícia, tudo bem?

Acenou para Letícia, que respondeu:

- Oi, Sheila. Tudo bem sim, e com você?

A secretária sorriu e disse:

- Tudo ótimo.

Antes de estender o telefone que segurava para Carla:

- A Júlia quer falar com você.

Saiu tão subitamente quanto entrou.

Letícia sorriu...

De um jeito que Carla não conseguiu definir.

E perguntou:

- Quer que eu saia?

Carla recusou de maneira enfática:

- Claro que não.

Letícia deu de ombros, se atirou no sofá e ficou ouvindo a conversa da mãe com Júlia:

- Oi, meu amor. Fala. Não, tudo bem. Em princípio vou ficar em casa, mas qualquer coisa me liga. Eu também te amo... Beijo, meu amor... Tchau.

Desligou o telefone, virou-se para a filha e pediu:

- Só mais um minutinho.

Falou rapidamente com Sheila pelo interfone:

- A gravação atrasou e a Júlia não vem almoçar. Sim, só nós duas. Obrigada, Sheila.

Assim que a mãe voltou a se sentar ao lado dela, Letícia perguntou:

- Será que eu entendi direito? Só nós duas sou eu e você?

Carla preferiu ignorar... A provocação explícita. Sorriu... Para a filha amada:

- Você vai ficar pra almoçar, não vai?

Letícia sorriu de volta:

- Como eu poderia deixar de aproveitar uma oportunidade dessas? De ter a minha mãe só pra mim? Coisa cada vez mais rara...

Não se deixou abalar pela cobrança, muito pelo contrário. Puxou a filha para si, envolveu-a num abraço apertado:

- Essa frase deveria ser minha, não acha? Afinal de contas... É você que está sempre ocupada demais, que troca a sua velha mãe por qualquer rabo de saia...

Letícia riu... Enquanto se deixava abraçar e beijar:

- Velha? Tá...

Não disse o que pensou:

"Queria ter uma mulher igual a você...”

Era incestuoso demais.

Preferiu falar:

- Eu quero ficar velha assim, com tudo no lugar...

Carla riu...

E voltou a beijá-la.

Ficaram um tempo abraçadas, como se retornassem... Ao tempo em que os problemas e conflitos ainda não existiam e entre elas havia apenas... Cumplicidade.

Foi com pesar que Carla retomou o assunto que tinha ficado inacabado. Não o faria se não fosse... Necessário:

- E a Paula?

Exatamente como previa, Letícia se soltou e voltou a se afastar e a se colocar na defensiva:

- O que tem a Paula?

Não insistiu naquilo que a filha tão obviamente não queria admitir nem ver. Ao invés disso, falou de um jeito suave, tranquilo, totalmente sereno:

- Você não terminou de me contar o que aconteceu.

Letícia deixou escapar um suspiro... Antes de relatar, sem muitos detalhes, o fim da história.

Carla escutou atentamente, sem interrompê-la. Quando ela terminou, disse apenas:

- Se eu fosse a Paula, acho que não te atenderia também.

Depois ficou observando... Letícia colocar as mãos no rosto e esfregá-lo, numa inquietação que beirava o desespero...

Cautelosamente, Carla completou:

- Num primeiro momento. Mas se você insistir, quem sabe...

Letícia voltou a fitá-la... O que viu nos olhos dela fez a mãe voltar a questioná-la:

- É o que você quer, não é? Voltar com a Paula?

Mas ela apenas confirmou o que Carla já desconfiava:

- Eu não sei.





Quando Júlia chegou em casa, encontrou as duas abraçadas no sofá, assistindo a um filme juntas.

Uma estranha mistura de emoções tomou conta dela...

Alegria e alívio por ver o prazer e a felicidade de Carla, sabia o quanto ela sentia a falta dos filhos.

Ao mesmo tempo...

A presença de Letícia por si só já instaurava... Uma tensão no ar.

Não só pelo fato de Carla sempre compará-las, e de cobrar de Júlia todos os erros que a filha cometia, como se fosse ela a culpada... O que inevitavelmente fazia com que brigassem.

Havia mais.

Algo por parte da garota, nem um pouco velado.

Júlia preferia fingir que não sabia nem percebia.

Mas estava lá.

Por mais que a tratasse bem, que se esforçasse em ser simpática, compreensiva e tentasse evitar conflitos desnecessários.

Respirou fundo antes de entrar na sala:

- Olá!

Letícia respondeu como de hábito. Sem olhar para Júlia:

- Oi.

Como sempre fazia também, Júlia não esboçou nenhuma reação perceptível.

Carla sorriu:

- Oi, meu amor. Demorou...

Júlia sorriu de volta:

- Sentiu a minha falta?

- Sempre sinto.

Aproximou-se das duas, parou ao lado de Carla:

- E eu a sua...

Inclinou-se e beijou-a nos lábios...

Letícia ficou olhando para elas... Sem conseguir definir os próprios sentimentos...

Eram - ou pelo menos deveriam ser - um exemplo a ser seguido. O casal lésbico modelo.

O peso...

Da perfeição que lhe era cobrada.

As bocas se separaram, mas os olhares continuaram unidos. Letícia aproveitou para dizer:

- Eu vou indo.

Carla protestou:

- Já? Fica mais um pouquinho...

Júlia afastou-se... Com suavidade:

- Eu vou tomar um banho e... Tenho um texto para decorar.

Fez um último carinho na mão de Carla antes de soltar-se dela e retirar-se.

Não era a primeira vez, mas Carla adoraria que fosse a última. Infelizmente, cada vez que as duas se encontravam, só piorava.

Virou-se para a filha com ternura, doçura, serenidade:

- Letícia... Por quê? O que você tem contra a Júlia?

A primeira resposta de Letícia foi a clássica:

- Nada.

Mas Carla queria a verdade:

- Me fala.

A insistência da mãe, a carência ou a confusão em que estava... Letícia não soube explicar por que... Ou o que a fez estourar:

- Ela também te beija assim na frente do Leonardo?

Carla nem parou para pensar:

- Não. Na frente do seu irmão ela fica bem mais à vontade.

Letícia não mediu as palavras:

- Que ótimo! Já que o problema sou eu, não vou atrapalhar mais.

Apesar dos protestos da mãe, levantou-se:

- Vou pra casa.

De nada adiantou Carla pedir:

- Letícia... Espera... Vamos conversar...

Letícia sorriu de forma sarcástica:

- Diz pra Júlia que eu deixei um beijo.

Beijou a mãe e foi embora:

- Tchau.





Paula passou o final de semana inteiro com o celular desligado. Foi a única maneira que encontrou para não atender Letícia.

Acordou na segunda feira com uma agradável sensação de não ser tão fraca quanto pensava.

Encontrou com Sara na faculdade, durante o primeiro intervalo. A amiga foi logo perguntando:

- Que houve com o teu celular?

Paula deu de ombros:

- Nada.

Mas Sara insistiu:

- Te liguei o final de semana inteiro, tava desligado?

Continuou tentando despistá-la:

- Não, claro que não.

Sem resultado:

- Tá. Conta outra. Te conheço, Paula. É por causa da Letícia, né?

Quase engasgou com o suco que estava tomando:

- Quê?

Sara riu... Do jeito debochado que lhe era peculiar:

- Vi você saindo com o seu carma da festa. Cara... Sem comentários...

Esperou que Paula dissesse algo, mas como ela continuou calada, prosseguiu:

- A Nat ficou arrasada. Também... Coitada... Faz séculos que é a fim de você e quando finalmente pinta uma oportunidade...

A surpresa de Paula foi absolutamente verdadeira:

- Como assim?

Assim como o fato da amiga estar achando aquilo muito engraçado:

- Desde a festa dos calouros. 

Vasculhou a mente à procura... Nada além de uma vaga lembrança... De ter conversado com Natália na tal festa, mas... Na época, assim como naquele momento, Letícia ainda a atormentava a ponto de... Torná-la tão insensível quanto ela.

- Eu... Não sabia...

Sara voltou a rir... Dessa vez de Paula:

- Cejura? Você era a única, acho.

A única coisa que conseguiu dizer foi:

- Merda!

Precisava falar com Natália.





Procurou-a depois da última aula. Não precisou esperar muito, ela logo surgiu, conversando animadamente, no meio de um grupinho.

Não parou quando viu Paula. Ia passar direto, se Paula não a chamasse. Despediu-se das pessoas que estavam com ela e aproximou-se.

Paula começou, sem tentar nem ter como disfarçar a dificuldade:

- Oi...

Natália disse apenas:

- Oi.

Sem sorrir, nem facilitar.

Não que Paula esperasse isso dela. Na verdade, sabia que o simples fato de ela estar ali, disposta a escutá-la, já era... Muita generosidade.

Foi essa consciência que a fez dizer, sem hesitar, apesar de todo o constrangimento que estava sentindo:

- Eu queria te pedir desculpas pela sexta feira. E te explicar que...

Natália cortou-a... De uma maneira polida, mas distanciada, quase fria:

- Tudo bem. Acontece. Nada demais. Vamos esquecer, tá?

Virou-se e começou a caminhar.

Paula seguiu o impulso completamente irracional que sentiu... De não permitir que ela se afastasse:

- Espera!

Quando Natália parou e a olhou, aproximou-se. Parou na frente dela ainda sem saber ao certo o que falar:

- Eu... Eu não queria que você pensasse que... Na verdade eu queria que você soubesse que...

Natália sorriu:

- Que o quê?

De um jeito que fez Paula lembrar... E soprar, num tom confessional:

- Foi muito bom.

Dessa vez, o sorriso dela foi completamente diferente. Irônico, quase amargo:

- Tão bom que você foi embora com outra?

Mesmo sem compreender exatamente o porquê, Paula precisava explicar:

- Olha... Não é isso... É complicado... Ela é... Ela era... Minha ex... Minha primeira namorada e eu...

Por trás da forma aparentemente serena com que Natália perguntou, havia uma dose de sarcasmo inegável:

- Teve uma recaída?

Paula continuou seguindo uma inexplicável necessidade de ser sincera:

- Ainda tinha uma coisa pra resolver com ela.

Foi de um jeito absolutamente sério que Natália afirmou:

- Seja o que for, pelo visto continua pendente.

Com a atenção fixa num ponto acima do ombro esquerdo de Paula...

Foi instintivo.

Paula virou-se para acompanhar o olhar de Natália...

E viu Letícia...

Linda de All Star branco, macacão jeans estilo jardineira abotoado apenas em uma das alças, a outra caída, expondo a camisetinha branca cujo decote deixava o vinco dos seios perfeitamente à mostra...

Parada alguns poucos metros atrás dela, olhando de um jeito irresistivelmente sedutor e suplicante para Paula.


CONTINUA NA PRÓXIMA 2a FEIRA...


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postado originalmente em 01 de Outubro de 2014 às 18:00. 




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