quarta-feira, 16 de julho de 2014

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sábado, 21 de junho de 2014

Resultado da Promoção "O Infinito dá um Legado"

Menin@s Lind@s e Maravilhos@s,
Td bem?


A autora da melhor resposta e ganhadora de um LEGADO DE PAIXÃO autografado foi:

Mariana Faria
Com a frase:
"Nem mesmo o tempo ou a distância pode separar ou acabar com um grande verdadeiro amor.
Em ambas as histórias elas se conheceram muito jovens e voltaram a se encontrar e se amar muito depois.
O corpo lembra o que o coração não deixou escapar. E faz o amor prevalecer."


PARABÉNS, linda! 
Por favor, mande email para: diedraroiz@gmail.com
Informando endereço de envio e em nome de quem ou "quems" quer a dedicatória no livro, ok? 



bjo muito mais que ultra mega hiper suuuuuuuper imenso e infinitamente giga no coração e na ombreira de cad@ um@ e tod@s que participaram!


quinta-feira, 19 de junho de 2014

O INFINITO EM DUAS VOLTAS - Capítulo 37 - Último Capítulo



Quando a mãe de Júlia finalmente chegou ao restaurante, apesar da taça de vinho que já havia tomado, para Carla foi como se voltasse a ter dezessete anos.

Sentiu-se... Absolutamente nervosa, apreensiva, envergonhada...

Culpada.

Levantou, junto com Júlia, ficou observando... As duas se abraçarem e se beijarem, os parabéns que ela deu a Júlia... Parecendo bastante amorosa... A experiência com a mãe de Tiago fazendo Carla esperar o pior, mas... Contrário a tudo que esperava, a nova sogra foi incrivelmente amistosa, generosa e simpática quando a cumprimentou:

- Carla... Quanto tempo... Você não mudou quase nada. Como vai?

Sentiu-se estranhamente acanhada. A única coisa que conseguiu dizer foi:

- Como vai?

O almoço inteiro teria decorrido desse jeito... Se a mãe de Júlia não fosse... Direta e clara:

- Não sei por que vocês estão tão constrangidas. Minha filha gosta de mulher. Eu sempre soube, não é novidade.

Falou diretamente para Júlia:

- A sua avó também sabia. Aliás, foi ela que me contou.

Riu da surpresa das duas:

- O que vocês esperavam? Nem tentavam disfarçar, viviam trancadas naquele quarto... E de repente, do nada, essa aqui ligava e você mandava dizer que não estava. Não adiantou depois aparecer com aquele seu namorado que você obviamente odiava, muito menos aquele outro tão afetado...

Júlia estava... Visivelmente vexada... Tentou cortá-la:

- Tudo bem, mãe, nós já entendemos...

Inutilmente:

- Não, Júlia, eu não vou mais me calar. Eu vou falar tudo que eu sempre quis te dizer e nunca tive oportunidade.

Respirou antes de prosseguir, num tom bem mais doce e suave:

- Será que você nos achava assim tão retrógrados, tão repressores? A ponto de ter medo, de não confiar em nós? Sequer tentou conversar ou nos contar. Por quê?

O olhar de Júlia procurou o de Carla, como se buscasse ajuda... Carla segurou a mão dela por cima da mesa e, sem desviar o olhar do de Júlia, incentivou:

- Fala. Sua mãe quer te escutar.

Um riso nervoso... Foi o primeiro som que saiu dos lábios de Júlia. E depois... Ela finalmente se abriu:

- Mãe, você diz isso hoje, mas jamais reagiria assim antes. Lembra o que o papai falava sobre a TV? “Aquele antro!” Como eu ia contar? E pra quê? Vocês nunca entenderiam. Nunca aceitariam. Só serviria pra se preocuparem, se desesperarem, sofrerem, enlouquecerem ou talvez até... Mudarem comigo.

A voz da mãe de Júlia soou absolutamente triste:

- Júlia... Quem mudou foi você. Preferiu se afastar, se tornou distante, quase uma estranha. A minha própria filha... O que poderia ser pior? Que sofrimento poderia ser maior? Me diz...

Júlia olhou para a mãe... Depois para Carla... E foi para as duas que disse:

- A verdade é que não posso me arrepender do que eu fiz no passado. Como poderia?  Foram as minhas escolhas, errôneas ou não, que me possibilitaram ser quem eu sou hoje. Se tivesse feito diferente, não sei se estaríamos aqui agora. No fundo estou aliviada e muito feliz... Por ter vocês duas comigo, sem precisar mais fugir nem mentir...

Júlia levantou a mão de Carla, mostrando as alianças para a mãe. Contou sorrindo:

- Nós vamos nos casar.

A mãe de Júlia também sorriu:

- Eu não sei qual seria minha reação anos atrás. Talvez tivesse um colapso...

Riu da própria piada antes de completar, seriíssima:

- Seu pai morreu sem saber. E eu rezei muito para que fosse só uma fase, e que essa fase passasse. Mas agora, não tenho mais nada contra. Muito pelo contrário.

Olhou para Carla. Foi para ela que disse:

- Eu perdi meu marido. Sei o que é não poder ter quem a gente ama do nosso lado. Tenho visto muitas fotos de vocês duas juntas na mídia... Pra Júlia se expor assim, de um jeito que ela nunca fez antes... É porque com você é de verdade.

Virou-se de novo para a filha, visivelmente emocionada:

- Eu só estava esperando você vir me contar. Júlia... Meu maior medo era que você acabasse sozinha, como foi durante tantos anos. O que eu mais quero é te ver feliz... Como você está agora. Pra mim isso é muito claro.

Foi muito mais do que alívio... O que Júlia sentiu. Algumas lágrimas surgiram, deixou que escorressem livremente... Que lavassem e levassem... Tudo que, por tantos anos, tinha mantido oculto, recluso e sufocado.



Quando o manobrista trouxe o carro, Júlia pediu:

- Você dirige?

Carla a atendeu, sem hesitar. Compreendia. Na verdade sentia... O estado em que Júlia se encontrava. Ela permaneceu calada, de olhos fechados, com um sorriso nos lábios... Até pararem no primeiro sinal.

Virou o rosto, olhou profundamente para Carla e falou:

- Obrigada.

Uma única palavra, que continha um milhão de significados...

Foi muito mais um ato reflexo, impulsionando por uma satisfação quase envergonhada, que levou Carla a perguntar:

- Pelo quê?

O que Júlia sentia era infinitamente vasto, complexo demais para ser verbalizado, mas... Uma frase saiu... Sem que precisasse pensar:

- Por não ter desistido de mim.

Os lábios de Carla se entreabriram... Num misto de surpresa, felicidade e busca do ar que subitamente lhe faltava...

Não soube o que dizer, respondeu com o olhar...

Júlia se aproximou e, atraídas por uma força quase gravitacional, as bocas se encostaram... Mas não concretizaram o beijo, ficou em suspenso quando os carros atrás começaram a buzinar...

Sopraram juntas, os hálitos ainda deliciosamente interligados:

- O sinal...

Voltaram a inspirar... Compartilhando a mesma respiração alterada... Uma vez mais antes de finalmente se afastarem...

Apenas o suficiente para Carla partir na direção de casa.



Estavam sentadas juntinhas no sofá da sala de estar quando Gabriel entrou correndo e gritando:

- Parabéns, Dinda! Feliz aniversário!

Pulou em cima de Júlia e a encheu de beijos...

Daniela entrou logo depois:

- Gabriel... Cuidado... Vai machucar a sua dinda desse jeito...

Apertando o garoto mais contra o próprio peito, Júlia contestou:

- Não machuca nada... Deixa...

Depois de suspirar profundamente, Dani falou:

- E você ainda incentiva, né? Ele precisa aprender a ter modos, Júlia.

Estendeu a mão para o filho:

- Anda, vem cá.

O menino fez uma carinha contrariada, mas obedeceu.

Júlia protestou, implicando:

- Mãe ciumenta!

Dani ajeitou os cabelos dele, sorrindo:

- Não é ciúme, não senhora. É que o Gabriel tem um presente pra você.

Foi para Gabriel que Júlia disse, num tom que fazia com que ela parecesse ter a idade dele:

- É mesmo? O quê?

Ele respondeu no mesmo tom:

- Surpresa!

O sorriso de Júlia tornou-se ainda maior:

- Adoro surpresa!

O de Gabriel também.

Carla e Dani riram junto com os dois... E deles.

Gabriel pegou uma coisa na mochila e voltou, bastante sério:

- Eu vou tocar pra você.

Enquanto tirava a flauta doce da capa, Daniela informou, com orgulho:

- Ele ensaiou a semana inteira.

O garoto protestou, indignado:

- Mãe! Não conta! Ela tem que pensar que é impro... Impro...

Júlia completou:

- Improvisado.

E ele concordou:

- Isso!

Segurando a mãozinha dele, Júlia falou olhando dentro dos olhos do garoto, com uma seriedade que deixou Carla e Dani surpresas:

- Gabriel, presta atenção no que eu vou te dizer. Repete comigo: arte é dez por cento talento e noventa por cento suor.

Depois que o menino repetiu a frase, Júlia perguntou:

- Sabe o que isso quer dizer?

Ele franziu o rosto inteiro:

- Não.

Com muito custo, Júlia conteve a vontade de beijá-lo e apertá-lo... E continuou no mesmo tom grave, que dava ao assunto a importância que deveria ter:

- Ter talento é muito bom, mas não é o bastante. Precisa suar: estudar, se esforçar, melhorar sempre... Ensaiar. Entendeu?

Gabriel sacudiu a cabeça afirmativamente. Júlia sorriu e encerrou:

- Então não tem problema dizer que ensaiou a semana inteira. Muito pelo contrário, é até bom.

O menino riu... Falou com a cara mais safada do mundo:

- Da próxima vez vou dizer que ensaiei o mês todo!

Tornando impossível para Júlia continuar resistindo... Apertando o afilhado nos braços, beijou-o várias vezes:

- Seu danado!

Até ele protestar:

- Agora deixa eu tocar pra você!

Assim que Júlia o soltou, ele ficou retinho, posicionou o instrumento um pouco abaixo do rosto, respirou fundo, como se estivesse se concentrando... Depois colocou os lábios na flauta e tocou... “Quase sem querer”.

Impossível para Júlia não se emocionar ao ouvir o afilhado tocando Legião Urbana tão lindamente... Segurou a mão de Carla sem nem perceber...

Riram ao verem que todas... Dani, Carla e Júlia... Tinham lágrimas nos olhos quando ele terminou.

Nenhuma das três tentou disfarçar.

Bateram palmas efusivamente.

Ele agradeceu, com uma graça natural.

Carla exclamou:

- Nossa! Ele tem talento mesmo!

Daniela poderia explodir de orgulho naquele momento... E Júlia também:

- E você acha que eu perderia o meu tempo falando tudo aquilo se ele não tivesse?

Só notaram que continuavam de mãos dadas porque Gabriel perguntou:

- Dinda, a Carla é sua namorada?

Júlia olhou para Daniela, que disse meio que se desculpando:

- Ele já tinha me perguntado antes, mas eu não sabia o que dizer, então... Falei pra perguntar pra você.

Gabriel continuava esperando, já um pouco impaciente... Júlia virou-se para o afilhado, sorriu e respondeu simplesmente:

- Sim, a Carla é minha namorada.

Puxou por ele:

- O que você acha disso?

Com seu sorriso lindo e banguela irresistível, Gabriel respondeu para Júlia:

- Eu acho bom. Eu gosto da Carla, ela é legal.

Depois olhou para Carla... Inclinou a cabeça de lado, sorriu para ela, completou rápido e baixo, de um jeito quase tímido:

- E bonita.

E saiu correndo.

As três se entreolharam... Antes de caírem num riso absolutamente surpreso, deliciado e divertido...



Carla não conhecia quase ninguém naquela festa. Mas Júlia a manteve ao lado dela, de mãos dadas, abraçando-a, beijando-a e apresentando-a a cada pessoa que vinha cumprimentá-la...

- Essa é a Carla...

Nunca tinha escutado o próprio nome tantas vezes.

Foi um alívio quando surgiu uma pessoa conhecida:

- Renato!

Ele se aproximou fingindo proteger os olhos com as mãos:

- Por todos os deuses do Olimpo! Vocês duas estão brilhando! Cintilando! Ofuscando todos nós, pobres mortais!

Riram juntos...

Enquanto Pedro cumprimentava Carla, Renato abraçou e beijou Júlia:

- Parabéns, minha querida! É muito bom te ver feliz de verdade.

Depois trocaram:

- Carla! Amada! Nem vou perguntar como você está... Muito bem, obrigada! Dá pra saber só de olhar...

Voltaram a rir...

Renato ainda segurando as mãos de Carla nas dele até que... Deixou escapar um gritinho deliciado:

- Não!

Pegou a mão esquerda de Júlia e colocou ao lado da de Carla... Apenas para ter certeza do que já havia constatado:

- Eu não acredito! Júlia Prantine amarrada?! Desde quando?

Enlaçando a cintura de Carla com o braço direito e olhando nos olhos dela, Júlia respondeu:

- Mil novecentos e oitenta e oito...

Carla sorriu... Segurou o rosto de Júlia entre as mãos... E a beijou...



A reação de Luciana foi bem diferente. Puxou Carla num canto e perguntou:

- Carla, sei que você está apaixonada demais para ser racional, então eu vou ser por você. Essa aliança é só simbólica? Ou é de verdade?

Carla olhou para a irmã sem conseguir acreditar:

- O que você quer dizer?

Luciana não mediu as palavras, foi direta:

- Legalmente, como vai ser?

Antes que Carla pudesse responder, Júlia interferiu:

- Eu gostaria de participar dessa conversa.

Luciana foi absolutamente sincera:

- Olha, Júlia, me desculpe. Não é nada pessoal, nada contra você. Mas depois da Carla ter ficado com pena do Tiago a ponto de ter saído do divórcio quase sem nada... Eu me preocupo, entende?

Carla ficou muito mais do que indignada... Tentou protestar, absolutamente constrangida:

- Lu... O que é isso? Você está exagerando... E me envergonhando...

A irmã riu:

- Estou? Mesmo? Vocês colocaram o apartamento no nome das crianças, tudo bem. Mas quem mora lá? Ele. E a sua parte no escritório... Você praticamente doou para o Tiago...

Para desespero de Carla, Júlia concordou:

- Luciana, você está certíssima. Nós vamos casar, e seria ótimo se você me ajudasse a planejar os detalhes legais porque sei que a Carla não vai fazer isso.

Começaram a conversar e acordar sobre comunhão de bens, seguros de vida, imóveis que Júlia queria doar para Carla, e depois... Em como seria em caso de separação ou de morte de uma das duas...

Luciana pareceu ficar bastante satisfeita e aliviada. Júlia também.

Já Carla... Estava sentindo o oposto... Considerava aquilo completamente fora, além de todos os limites...

Segurou Júlia pela mão e a chamou:

- Júlia... Por favor, eu não quero nada disso...

Enlaçando Carla pela cintura, Júlia a puxou para si:

- Amor... Meu amor... Eu sei que por você não se falava nem se pensava na parte financeira, mas é necessário. Eu só vou ficar tranquila se você estiver protegida.

A hesitação de Carla foi imediata e nítida:

- Mas eu... Eu não...

Júlia aproveitou para pedir:

- Por mim?

E sorriu... Daquele jeito que tornava impossível para Carla discordar, recusar ou resistir...



Como Carla já esperava, Letícia apareceu com uma namorada nova. A grande surpresa foi Leonardo. Chegou sozinho, abraçou-a e beijou-a :

- Oi, mãe.

Cumprimentou Júlia com dois beijinhos:

- Parabéns.

Depois sumiu festa adentro.

Carla precisou comentar:

- Esse estágio que você arrumou pra ele parece estar operando milagres...

Júlia deu de ombros:

- Milagre nenhum, meu amor... Sair debaixo da asa do papai e da mamãe faz a gente crescer. Aliás, falei com o Gustavo hoje e ele elogiou muito o Leonardo, está bastante satisfeito com ele.

Foram interrompidas por Suzana, que chegou com o marido... Depois Thaís com a mulher...

Até então, Carla tinha se segurado, mas a curiosidade foi mais forte do que ela:

- Será que hoje vai ser completo?

Júlia não entendeu:

- O quê?

Havia uma provocação bem humorada no jeito de Carla dizer:

- O desfile das suas ex namoradas.

Mas Júlia não levou na brincadeira:

- Amor, eu já te disse que a Suzana não é nem nunca foi...

Só então compreendeu. Parou, olhou para Carla num misto de irritação, indignação e surpresa:

- Carla, eu não acredito! Por que não me pergunta logo o que realmente quer saber?

Carla riu...

E não se fez de rogada:

- Ela vem?

Júlia deixou escapar um suspiro... Exasperado:

- Não, ela não vem.

Nem assim Carla se conteve:

- Por quê?

Os olhos de Júlia a fuzilaram:

- Tem um show hoje em Fortaleza. Satisfeita?

Mas Carla parecia disposta a testá-la:

- Nem um pouco. Numa próxima, talvez... Quem sabe...

A paciência de Júlia acabou ali. Na verdade... Explodiu:

- Não vai ter próxima, é a última vez que eu convido.

Carla riu:

- Está com ciúmes, Júlia Prantine?

Segurou Júlia pela cintura:

- Vem aqui...

Puxou-a... Segurou-a entre os braços com força, soprou dentro do ouvido dela:

- Meu amor... Que besteira...

Júlia se arrepiou inteira, mas não se rendeu:

- Se você a conhecesse como eu conheço, não acharia besteira.

Carla riu:

- Então quer dizer que...

Passeou a boca pelo pescoço de Júlia bem de leve... Fazendo-a amolecer e ceder um pouco... Antes de completar:

- Eu tenho chance?

A primeira reação de Júlia foi deixar escapar um indignado:

- Carla...

A segunda, tentar se soltar...

Mas Carla não permitiu. Segurou o rosto dela entre as mãos, e disse:

- Júlia... Meu amor... Ela não tem. Comigo, nem ela, nem ninguém.

Foi olhando nos olhos dela que completou:

- Só você.



Depois, muito depois... As duas escovando os dentes juntas no banheiro da suíte...

Carla disse:

- A Daniela me fez um convite.

Júlia guardou a escova antes de perguntar:

- É? Qual?

Carla guardou a dela enquanto respondia:

- Para assumir a contabilidade da concessionária.

Júlia colocou os cremes faciais dela do lado direito da bancada:

- E você aceitou?

Carla colocou os dela do lado esquerdo:

- Não... Ainda.

Falaram enquanto aplicavam, meticulosamente, cada um deles na região a que se destinavam:

- Pedi um tempo para pensar. Na verdade eu queria conversar com você primeiro.

- Conversar o quê?

- Ela me chamou por que quis? Ou por que você pediu?

- Carla... Eu juro que não tenho nada a ver com isso.

Terminaram quase ao mesmo tempo. Carla um pouco antes. Despiu o robe que estava usando, pegou o hidratante e começou a passá-lo no corpo.

Júlia ficou olhando... Quase hipnotizada... Esquecida de si mesma...

- Acha que devo aceitar?

A pergunta de Carla a trouxe de volta, mas não completamente:

- O quê?

Entregou o hidratante para Júlia:

- O convite da Dani.

E vestiu o robe enquanto Júlia tirava o dela:

- Você vive dizendo que ficar sem trabalhar está te enlouquecendo...

Foi a vez de Carla observar... As mãos de Júlia deslizando sobre a própria pele...

- E está mesmo.

Estendeu o hidratante para Carla e voltou a colocar o robe:

- Então aceita. Se não gostar, é só se demitir.

Caminharam de mãos dadas para o quarto. Cada uma para o seu lado da cama.

- Ouviu o discurso da namorada da Letícia para mim?

Carla puxou e ajeitou as cobertas, enquanto Júlia pegava os controles remotos e, com eles, ligava o ar condicionado e fechava as cortinas:

- Sobre a importância política de você, uma figura pública, se assumir? Da responsabilidade que você tem com todas as lésbicas do país?

- Não é a primeira vez que me cobram isso.

- Muito fácil para ela... Falar, cobrar, julgar, condenar... E ser tão intolerante quanto as pessoas que ela critica.

Júlia ajeitou os próprios travesseiros, Carla fez o mesmo com os dela:

- Então você acha que a garota está errada?

- Júlia... Não sei se nesse caso existe certo e errado, nada é tão simples.

Tiraram os robes e se deitaram debaixo das cobertas inteiramente despidas:

- Mas não gostei do jeito que ela falou com você. Agressiva, cheia de verdades absolutas, quase te coagindo... Você sabe que eu nunca fui a favor de radicalismos.

- É. Nem eu.

Júlia abriu os braços e chamou, num tom de pedido:

- Vem aqui...

Carla se aconchegou, sorrindo... A cabeça apoiada no ombro de Júlia, um dos braços enlaçando-a pela cintura, as pernas enroscadas nas dela...

Júlia a beijou carinhosamente... Várias vezes... Antes de retomar o assunto que continuava irresolvido:

- Mas voltando à questão... Acho que precisamos conversar seriamente sobre esse assunto.

Carla suspirou:

- Meu amor... Para mim não faz diferença, ninguém me conhece, ninguém sabe quem eu sou. A pessoa pública aqui é você, então é você que decide.

E Júlia discordou:

- Não, meu amor. A decisão não é só minha. É a nossa vida. Te afeta também, nós estamos juntas nisso. Até por que, em breve, as pessoas vão saber quem você é.

Carla voltou a suspirar:

- A mulher de Júlia Prantine.

E afastou-se um pouco, apenas o suficiente para olhar para Júlia:

- Essa exposição toda... Me assusta um pouco, sabia?

Era um assunto que não podia nem queria adiar:

- Eu imagino... Mas não é nada demais, meu amor. Você se acostuma.

Manteve o olhar no dela:

- Carla... Nós vamos casar e eu não quero mentir, fingir nem esconder. Então de uma forma ou de outra, as pessoas vão ficar sabendo.

Passou a mão direita no rosto de Carla com suavidade:

- O que nós precisamos decidir é o quanto queremos mostrar.

Perguntou ainda entregue à carícia:

- O que você quer dizer com isso?

Júlia esperou... Carla voltar a abrir os olhos e fitá-la... E então revelou a própria dúvida:

- Vamos andar de mãos dadas? Vamos nos beijar em público? Quer que eu fale sobre você? Que diga que você é minha mulher numa entrevista, por exemplo?

Completou enquanto afastava do rosto dela uma mecha de cabelo:

- Ou prefere ser mais sutil? Deixar que vejam e percebam, que leiam nas entrelinhas?

Deixou em suspenso... Olhou para Carla, em busca da resposta... E ela deu:

- Não me entenda mal, meu amor... É um orgulho ser sua mulher...

Carla levou a mão de Júlia até a própria boca, beijou a palma de leve, um roçar de lábios apenas... Causando um pequeno estremecimento...

Foi esfregando o rosto na mão dela que concluiu o pensamento:

- Mas não acho necessário alardear, nem gritar aos quatro ventos.

 A voz de Júlia soou... Estranhamente insegura e tensa:

- Não mesmo?

Inversa à tranquilidade na de Carla:

- Por que você precisa declarar que é lésbica? Afinal... Ninguém precisa declarar que é hetero.

Fez uma pausa... Olhou para Júlia e completou, num tom propositalmente implicante:

- Só as suas assistentes...

Atingiu seu objetivo. Júlia relaxou um pouco... E riu também:

- Muito engraçadinha...

Beijou Carla de uma maneira absolutamente doce...

Depois a soltou e se afastou... Olhou para ela... Quase com culpa:

- Será que não é covardia, egoísmo? Será que aquela garota não tem razão? Carla...

Sentou-se... E só depois continuou:

- Não seria uma responsabilidade minha, eu não deveria me assumir, me posicionar de uma forma mais enfática? Não seria importante? Não faria diferença?

Carla sentou ao lado dela e abraçou-a:

- Meu amor, eu não acho que você tenha essa obrigação. Vai ser visível. Não precisamos dizer nada.

Beijou o ombro dela e completou:

- Pelo menos não explicitamente.

Júlia suspirou...

- Bom... Se perguntarem eu não vou negar.

Virou-se para Carla:

- Mas nunca vão me perguntar nada que eu não queira.

Carla começou a rir do nada:

- É muito engraçado... Eu nunca pensei que viveria... Pra ver esse dia...

Com uma das sobrancelhas levantadas, Júlia ficou olhando para ela... Absolutamente muda, sem uma palavra... Até Carla finalmente explicar:

- Júlia Prantine abrindo mão de aparecer... Afinal... Eu sempre pensei que você não se assumiria... Estrearia, protagonizaria, se exibiria lésbica!

Os olhos de Júlia cintilaram... Perigosamente...

Tomou os lábios de Carla nos dela e foi empurrando-a para trás... Deitando por cima dela, segurando os pulsos de Carla presos acima da cabeça... Falou entre beijos:

- Então... Quer dizer que... Eu sou uma exibicionista? É isso... Que você pensa de mim?

Carla voltou a rir... Antes de responder, sem afastar os lábios do dela:

- Em parte... Sim... Mas é um elogio...

Voltaram a se beijar...

Júlia roçou, mordiscou, sugou os lábios de Carla até que ela os abrisse... Quando as línguas finalmente se encontraram, Carla deixou escapar um som rouco, de uma excitação nítida...

Júlia desceu a boca pelo pescoço de Carla, colocou um dos seios na boca... Passou as mãos pelo corpo dela, acariciando cada pedacinho de pele, instigando... Adorando vê-la gemer e se arrepiar inteira...  E ao mesmo tempo... Sem conseguir parar de pensar no que tinham conversado... Em dúvida ainda:

- Carla... Meu amor... É assim que você quer? Tem certeza?

Só depois que os olhos se encontraram Carla compreendeu sobre o que ela estava falando:

- Sim, eu tenho. Não precisamos fazer da nossa vida um show. Vamos deixar que as coisas aconteçam, apareçam, se estabeleçam naturalmente... Do nosso modo, no nosso tempo.

Com os braços ao redor do pescoço dela, puxou Júlia para si, desejando encerrar o assunto em definitivo...

Júlia não só percebeu, acatou a vontade dela... Integralmente... Descendo a mão direita pelo corpo de Carla, acariciou o interior das coxas, subiu até o sexo dela, deslizou os dedos...

Sussurrou no ouvido de Carla:

- Assim?

Carla riu...

- Não...

Segurou Júlia e a virou, trocando de lugar com ela:

- Desse jeito...


 

EPÍLOGO

2014

Carla caminhou ao lado de Júlia se esforçando para manter o sorriso... Não era a primeira vez, nem seria a última... Nos últimos meses parecia que era só o que fazia... 


Os olhares se encontraram e foi o bastante para Carla ver a verdade... Por trás do exuberante, magnético, resplandecente sorriso de Júlia Prantine... O sentimento de cansaço era recíproco... O dela provavelmente muito maior, afinal... Mais de vinte e cinco anos daquilo... 


Oito meses para Carla já haviam sido...


“Como ela aguenta?”


Pensou pela milionésima vez...


Mas sabia que a diferença estava no fato de Júlia gostar... Na verdade amar o que fazia...


As perguntas pipocaram, Júlia Prantine respondeu a todas, com a habitual simpatia. Nenhuma foi direta nem pessoal, apesar das alianças que usavam, de estarem sempre juntas, de todos os comentários, fofocas e fotos que já haviam surgido... 


Era exatamente como Júlia sempre dizia:
 
“Não vão me perguntar nada, só se eu permitir.”

Lembrou-se da conversa que tinham tido na véspera. De nada havia adiantado afirmar e reafirmar:


- Meu amor, está ótimo assim.


Júlia a conhecia... Bem demais:


- Carla... Não adianta você tentar me enganar. Não consegue disfarçar, pelo menos não para mim. Sua fisionomia muda cada vez que escuta ou lê a palavra “amiga”.  


Suspirou antes de dizer:


- É ridículo, eu sei. Besteira minha.


Enlaçando-a pela cintura, Júlia puxou Carla carinhosamente para si:


- Não, não é. 


Beijou-a nos lábios de leve antes de prosseguir:


- E já te disse: por mim, tudo bem, não tenho mais nenhum problema em dizer que somos casadas, é você que...


Carla não a deixou completar:


- Eu prefiro assim.


A lembrança foi interrompida pelo repórter que se aproximou, sorrindo:


- Carla, né? 


Ele prosseguiu assim que ela assentiu:

- Você responderia umas perguntinhas?

Buscou Júlia com o olhar, ela percebeu e se aproximou:


- Se você quiser.


Carla voltou a olhar para o repórter e disse somente:


- Sim.


Ele fez sinal para o Camera Man, que se aproximou um pouco mais, colocou o microfone perto da boca e falou:


- Estamos aqui na pré estreia de “A Sombra de Aquiles”, conversando com a Carla, amiga de Júlia Prantine, a estrela do filme...


Não ouviu mais o que ele falou...


Os olhos encontraram os de Júlia num diálogo sem palavras... Cujo desfecho se deu quando o rapaz apontou o microfone para ela.


Percebeu... A cabeça de Júlia se mover de leve em aprovação... Apoiando-a de um jeito quase imperceptível, que só Carla viu...


Sorriu para o repórter... 


E corrigiu:


- Eu não sou amiga da Júlia, a Júlia é minha mulher.


Houve um alvoroço... 


Carla se viu cercada, no meio da confusão de vozes, luzes, câmeras e microfones... Ainda conseguiu distinguir:


- Você pode repetir o que disse?


Júlia a segurou pela mão, da mesma maneira suave, mas firme, com que a acalmou:


- Eu estou aqui.


As duas se olharam... 


- Júlia, é verdade isso?


Sem desviar o olhar do de Carla, Júlia sorriu... Aproximou-se... Encostou a boca na dela e a beijou... De um jeito doce, apaixonado, íntimo...


Os flashes pipocaram... O tumulto aumentou, mas nenhuma das duas viu ou ouviu, naquele momento foi como se nada mais existisse e elas estivessem sozinhas ali...


Quando os lábios finalmente se separaram, Carla perguntou baixinho, para que apenas Júlia ouvisse:


- E agora?


Com os olhos nos dela, de um jeito que fez Carla amá-la ainda mais, se é que isso era possível, Júlia sussurrou de volta:


- Sorria...

 FIM




Menin@s Lind@s e Maravilhos@s,
Tudo bem?
Quando LUAS DE MARIAS terminou, eu me apavorei.
Não só por ter sido tão especial a minha parceria com a Wind (sempre é), ou por ter me afeiçoado tanto às personagens... Foi tão difícil deixá-las, um verdadeiro exercício de desapego...
Mas também por ter ficado tão satisfeita com o resultado (nem estou falando de qualidade, estou falando de prazer mesmo)...
Isso me fazia pensar e dizer para algumas pessoas: e agora, o que eu vou fazer? Nunca mais vou escrever outra personagem como essa, qualquer coisa que eu escreva vai ser pouco, vai ser menor o sentimento...
Fiquei ali, frente a frente com vários medos: voltar a escrever sem a Wind... Decepcionar as leitoras... Decepcionar a mim mesma...
E foi exatamente aí, nesse momento de transformação do veneno em remédio, que Júlia e Carla surgiram.
Com uma força absurda, me seduziram, me tomaram, fizeram com que eu me apaixonasse por elas desde o início...
Por isso, termino essa história com dois sentimentos:
A sensação maravilhosa de satisfação, objetivo cumprido, revolução humana e vitória sobre a minha única real inimiga: eu mesma, e a gratidão profunda, imensa, infinita por tod@s aquel@s que acompanharam, comentaram, incentivaram, colaboraram (com cotas e/ou com o coração) durante esse processo.
Como sempre, qualquer agradecimento é pouco, pequeno, ínfimo... Para tudo que vocês me dão.
 
Vocês são absolutamente phodástic@s! 
Muito, mas muito obrigada mesmo, a cada um@ e tod@s por existirem e fazerem parte da minha vida!
bjo muito mais que hiper ultra mega suuuuuper imensamente gigantesco e infinito no coração e na ombreira!
Di



E aê galera do bem?
Nózes, Azamigah, agradecemos a cada pessoinha do bem que participou durante a construção desse edifício chamado "Infinito em Duas Voltas".
Participou com leitura (1 ponto), leitura + indicação do blog prozamigoh (3 pontos); leitura + indicação + comentários (6 pontos) e leitura + indicação + comentários + fomento cultural, tb conhecido como doação (10 pontos).
E no final, somos todos campeões (clima de Copa).
Abram os braços para abraços e o coração para o amor. Beijos, Azamigah




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Músicas que inspiraram  o capítulo:
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https://www.youtube.com/watch?v=OdfC3d6f0bg  




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