segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O INFINITO EM OUTRAS VOLTAS - Capítulo 06



Paula foi acordando aos poucos, bem devagar... Abriu os olhos e demorou um instante para se lembrar onde estava...

Na cama de Natália... Nos braços dela, para ser mais exata...

Virou-se, com cuidado para não acordá-la, ficou olhando para ela... Admirando a beleza, a sensualidade e a suavidade que pareciam... Quase tão naturais quanto respirar...

Sentindo uma vontade incontrolável de tocá-la, ergueu a mão esquerda e acariciou o rosto de Natália... Não ficou satisfeita... Muito pelo contrário... Ergueu um pouco o corpo... Apenas o suficiente para beijá-la de leve nos lábios...

Natália sorriu... Puxou Paula para si... E correspondeu integralmente às carícias...  Falou entre beijos, com uma alegria igualmente apaixonada e incontida:

- Coisa boa... Acordar assim...

Naquele momento, Paula soube... Teve certeza... De que era só o início... A primeira de muitas vezes em que aquilo se repetiria...





A primeira coisa que Letícia sentiu quando acordou foi... Uma total confusão...

Estava no próprio quarto.

“Pelo menos isso!”

Acompanhada.

Olhou para o lado e tentou se lembrar do nome da mulher que ainda dormia ao lado dela, inteiramente despida...

Inútil. Sequer sabia onde a tinha conhecido... A última recordação era a de estar bebendo num barzinho que sempre frequentava... Sozinha.

Deixou escapar um suspiro...

Xingou-se mentalmente: “Que idiota que você é, Letícia!”

E fez a única coisa possível: balançou-a delicadamente pelo ombro:

- Ei...

O sono da outra parecia profundo demais para não ter sido induzido por drogas ou bebida... Insistiu:

- Acorda...

Várias vezes, sem resultado. A imobilidade da outra a deixando absolutamente assustada:

- Acorda... Por favor... Acorda...

Só depois que perdeu toda a delicadeza e a sacudiu com força, ela finalmente despertou:

- Puta merda! Como eu vim parar aqui?

A dúvida de Letícia era recíproca:

- Não faço a menor ideia. Pensei que talvez você pudesse me dizer.

A outra sentou... E disse com um inesperado bom humor:

- Taí um mistério que não vai ter solução então...

Jogou os cabelos para trás... Avaliou a nudez de Letícia de um jeito nem um pouco disfarçado, antes de perguntar:

- Nós...?

Os olhos de Letícia desceram, igualmente avaliativos... Dos seios perfeitos para as coxas... Depois subiram direto... Para encontrar os dela:

- Não sei... Talvez... Não lembro de nada, não faço ideia do que aconteceu.

A outra sorriu:

- Nem eu.

E estendeu a mão:

- Jéssica.

Letícia retribuiu o gesto e o sorriso:

- Letícia.

Riram juntas...

Antes de Jéssica sugerir:

- Já que estamos aqui... Que tal tirarmos algum proveito disso?

Mais do que compreendeu, Letícia concordou... Tomando os lábios carnudos nos dela e puxando Jéssica para si...





Paula não conseguiu prestar muita atenção nas aulas naquele dia... Seu pensamento estava longe... Na verdade... Bem perto dali. Na pessoa responsável pela felicidade que sentia. Tão nítida que, assim que Sara colocou os olhos nela, percebeu:

- Até que enfim!

Contou tudo para a amiga, sem conseguir parar de sorrir...

No intervalo, a única coisa que queria era encontrar Natália. Não precisou se esforçar, ela veio. Aproximaram-se juntas. Nos olhos, um brilho idêntico...

Beijaram-se como se ninguém mais existisse...

Depois Natália falou baixinho no ouvido de Paula:

- Não consegui parar de pensar em você um segundo, sabia?

A voz de Paula soou exatamente como estava: deliciada...

- Ah, você tentou?

A de Natália tinha o mesmo tom apaixonado:

- Não muito...

Mais um beijo... Dessa vez rápido.

Paula suspirou... Ainda com os lábios nos de Natália:

- Eu também...

Natália afastou-se apenas o suficiente para fitá-la:

- O quê?

O sorriso de Paula... A forma como olhou dentro dos olhos de Natália... O jeito que soprou:

- Pensei em você o tempo todo...

Fez Natália voltar a beijá-la...

A movimentação dos outros estudantes retornando às suas salas fez com que se separassem. Ainda com as mãos de Paula nas dela, Natália pediu:

- Almoça comigo?

Foi com pesar que Paula recusou:

- Tenho que ir pra casa.

Mesmo se Natália não fizesse aquela cara desconsolada... Paula teria convidado:

- Não quer vir comigo?

Trocaram as últimas palavras bem rápido, para não chegarem muito atrasadas:

- Claro que sim. Não tenho o último tempo, mas te espero.

- Combinado!

Antes de se separarem e caminharem... Cada uma para a sua aula.



Viu Natália assim que desceu as escadas. Sentada em um banco, profundamente concentrada num livro. Aproximou-se devagar, sem desviar os olhos um milímetro. Parou na frente dela e Natália ergueu o rosto e sorriu...

- Demorei?

Perguntou de um jeito assumidamente dengoso, com as mãos enfiadas nos cabelos dela...

Natália deixou escapar um suspiro...

Largou o livro ao lado dela e enlaçou Paula pela cintura:

- Um segundo sem você são dias...

Paula se arrepiou inteira... Um calor delicioso tomando-a, fazendo-a derreter de bom grado nas mãos dela... Na boca... Na língua...

Quando deu por si, estava sentada no colo de Natália, os braços ao redor do pescoço, esquecida de tudo que não fosse aquele momento, as duas ali...

Olhou por cima do ombro dela e, parada a alguns metros, olhando fixamente para as duas, viu Letícia...

- Que foi?

Natália perguntou, chamando a atenção de Paula imediatamente:

- Nada.

Beijou-a de leve nos lábios antes de sugerir:

- Vamos indo?

Só então voltou a levantar os olhos... Mas Letícia já tinha sumido.





Foi num impulso. Absolutamente sentido. Sem que Letícia pudesse evitar ou explicar, simplesmente o seguiu. Quando viu já estava na faculdade de Paula, esperando que ela saísse.

Um sorriso involuntário surgiu assim que Paula surgiu. Deu os primeiros passos em direção a ela e parou. Paralisada com o que se seguiu...

De onde estava viu perfeitamente. O jeito que ela olhou para Natália... A forma como sorriu... Linda e apaixonadamente, enquanto a acariciava, beijava, sentava no colo da outra...

No breve instante em que os olhares se encontraram, percebeu mais, muito mais... A verdade incontestável. Naquele momento, era o único obstáculo entre Paula e a felicidade. E não era o que queria ser nem significar na vida dela. Muito pelo contrário.

Durante os segundos ínfimos que teve, enquanto Paula voltava toda a atenção dela para aquela que parecia ser... Letícia até encontrou, mas se recusou a aceitar e trazer para o consciente a palavra, como se a negação pudesse torná-la menos real.

Poderia, ou melhor... Deveria lutar por ela? Talvez... Mas...

Não se tratava de falta de coragem.

A dúvida a fez recuar, de forma inexorável... Porque não tinha certeza suficiente para ir lá e arrancar Paula dos braços da outra, sem poder oferecer o que ela queria e merecia. Jamais faria isso com ela. Acima de tudo, queria... Que ela fosse feliz.

Já tinha atrapalhado demais.

Precisava...

Deixá-la ir.

Esse último pensamento fez Letícia virar-se e sair quase correndo... Apesar das lágrimas que surgiram, desceram, escorreram... De forma implacável, inevitável e irreprimível...





Paula tentou permanecer impassível, sem nenhuma alteração visível, enquanto olhava para Letícia... Em 3D.

Sabia perfeitamente que Natália fazia de propósito. Sempre que possível, colocava no noticiário onde sabia que ela iria aparecer...

Durante os três anos de namoro, nunca tinham brigado e, obviamente, Paula preferia manter a relação exatamente daquele jeito. Sem discussões nem confusões, beirando... O perfeito.

Afastou imediatamente a sensação que veio... De medo.

Pois perfeição era algo que... Não podia ser bom. Não mesmo.

Mas Natália era. Tudo o que qualquer pessoa poderia desejar de uma companheira.

Então por que sentia que havia... Uma fresta, uma brecha, uma falta de... Não sabia o quê...?

Até vê-la. Letícia. No noticiário. Todas as noites na TV.

Preenchendo um vazio que sequer sabia que existia... Muito menos queria ter.

Percebeu que Natália estava olhando para ela... Fixamente.

- Tudo bem?

Paula se obrigou a sorrir... Antes de responder:

- Claro que sim. Por que não estaria?

Natália sorriu de volta... Puxou Paula para si e beijou-a... Restabelecendo a magia entre elas... Aquela que fazia Paula esquecer de todo o resto...

Mas não daquela vez.

Continuou ouvindo a voz de Letícia... Como um chamado que não podia nem desejava atender, mas que era... Impossível ignorar ou conter...





- Letícia... Será que você poderia tirar esses óculos e olhar para mim?

Fez o que a mãe pediu, apesar de ser a última coisa que queria... Desconectar-se do resto do mundo...

- Obrigada.

Carla sorriu...

Antes de completar:

- Muito melhor desse jeito.

Ensaiou um início de protesto:

- Mãe...

Mas Carla a cortou, com a firmeza carinhosa costumeira:

- Eu te convidei para almoçar porque quero conversar com você. Acredito que não faça diferença, que você realmente consiga prestar atenção em mim e em milhares de outras coisas ao mesmo tempo... Não é disso que se trata.

O suspiro que Letícia deixou escapar disse mais do que mil palavras...

Carla voltou a sorrir...

Dessa vez de forma quase condescendente:

- Eu gosto de ver os seus olhos enquanto conversamos. É pedir muito?

Não precisou responder. A mãe parecia ler seus pensamentos:

- Sim, eu sou antiga, eu estou ficando velha e ultrapassada. Eu sei.

As duas se olharam durante a pausa que se seguiu... Mais uma vez, Carla sorriu:

- Como você está?

Letícia deu de ombros:

- Bem.

Fazendo a mãe questionar:

- Bem? Só isso? Você conseguiu exatamente o que queria... Ou não?

Letícia riu...

De uma maneira quase Niilista:

- Ah, mãe... O que você quer que eu fale?

Carla não amenizou, muito pelo contrário:

- Não sei. Me diz você.

Foi muito mais perspicaz do que Letícia previa:

- O que falta?

 “Paula.”

Foi o primeiro pensamento que veio, totalmente incontrolável...

Letícia o afastou, com a facilidade que os anos lhe proporcionavam:

- Sabe o que eu acho? Que às vezes você me usa... Pra entender a Júlia... Nos anos que vocês ficaram afastadas...

Estranhou o fato de a mãe permanecer calada:

- Não vai contestar, nem argumentar? Não vai dizer nada?

Carla tomou um pouco do vinho branco da taça na frente dela antes de responder:

- Não. Afinal... Provavelmente, você tem razão. Me desculpe. Não vai se repetir.

Olhou para ela... Boquiaberta...

Fraqueza imediatamente detectada:

- Letícia... Eu me preocupo com você. Só isso.

O sorriso de Letícia foi melancólico, nem um pouco feliz:

- Se preocupa com o quê? Eu consegui exatamente o que queria, como você mesma disse...

Impossível enganar a mãe. Ela a conhecia:

- Mesmo?

Deixou a própria exasperação explícita:

- Mãe...

Mas Carla não se deixou abater com isso:

- Filha... Eu pensei que você fosse amadurecer com o tempo, encontrar alguém, ter uma relação mais sólida... Mas você continua... Pulando de galho em galho... Aqui e ali... Milhares de mulheres e no fim... Nenhuma. Você já tem vinte e dois anos, com a sua idade eu...

Letícia já tinha ouvido aquilo tantas vezes que já sabia de cor:

- Na minha idade você já estava casada e grávida do Léo.

Fez uma breve pausa antes de completar:

- Eu sei disso, mãe... Mas convenhamos... Você não estava exatamente feliz e, além disso... São outros tempos... Ninguém mais se amarra tão cedo, eu não quero nada sério, prefiro aproveitar, curtir a minha vida. Que mal há nisso?

Apesar de tentar disfarçar, a apreensão de Carla não passou despercebida para Letícia:

- Nenhum. Se você está feliz assim...

Tentou tranquilizá-la:

- Eu tô.

Inutilmente:

- Então não está mais aqui quem disse.

Letícia tentou amenizar:

- Mãe...

Mas Carla a cortou. Com uma inquietação perceptível:

- O quê?

Sorriu para ela... Aparentando uma serenidade que absolutamente não possuía:

- Eu tô ótima. Pode ficar tranquila.

E o assunto se encerrou assim.





- O quê?

Paula não conseguiu acreditar... Talvez tivesse entendido errado...

Mas Natália repetiu, confirmando que era exatamente o que havia escutado:

- Casa comigo?

Olhou para Natália... Para a aliança que ela segurava... Para ela novamente... Em total perplexidade:

- Tem certeza?

A primeira reação de Natália foi ficar profundamente decepcionada:

- Você não quer?

A segunda... Tentar contornar:

- Desculpe, eu me precipitei, acho...

Vê-la daquele jeito fez Paula perceber que seria capaz de qualquer coisa... Para que Natália voltasse a sorrir. Quase gritou:

- Não!

Sorriu da surpresa dela... Antes de continuar:

- É claro que eu quero! Eu só... Não esperava.

Não foi o bastante para convencê-la:

- Paula... Você não tá dizendo isso só por que...

Cortou-a de imediato:

- Nat... Eu te amo... Muito... Será que você não sabe?

A felicidade de Natália... Fez Paula se sentir feliz de verdade.

Beijaram-se... De um jeito absolutamente apaixonado...

Que seria perfeito...

Se...

A imagem de Letícia não surgisse... E se instaurasse na mente de Paula...





Letícia estava deitada na própria cama, sem tirar os óculos... De olhos fechados, tentando descansar.

O som de chamada a fez abrir os olhos e... Ficou absolutamente surpresa e chocada... Ao ver que era Paula...

Atendeu...
Paralisada, absolutamente extasiada... Ao ver que Paula não tinha mudado nada. Estava igual.

Ela passou a mão nos cabelos, jogando-os para trás... Parecendo muito pouco à vontade... Antes de finalmente falar:

- Letícia... Oi... Quanto tempo...

A única coisa que Letícia conseguiu responder foi:

- É... Verdade...

Parou... Respirou... Buscando algo menos patético para dizer, mas... Paula foi mais rápida:

- Eu queria te ver. Se você puder... E quiser, é claro.



CONTINUA NA PRÓXIMA 5a FEIRA...


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postado originalmente em 20 de Outubro de 2014 às 18:00.

 
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O INFINITO EM OUTRAS VOLTAS - Capítulo 05



A primeira coisa que Natália disse quando Paula entrou foi:

- A Tati não está.

Primeiro Paula não entendeu:

- Quê?

Só depois percebeu a confusão dela. Apesar de não fazer muito sentido, uma vez que... Não tinha muita intimidade com Tati, que dividia o apartamento com Natália, apesar de ela ser a melhor amiga da namorada de Sara, que por sua vez era a melhor amiga de Paula...

Tentou esclarecer:

- Eu não tô procurando a Tati, eu... Vim aqui pra... Ver você.

Sem muito resultado, por que... Natália continuou olhando para ela como se ainda não estivesse compreendendo.

Paula ficou mais do que constrangida, na verdade... Naquele momento pareceu loucura aparecer ali daquele jeito. Mal se conheciam, não fazia sentido algum:

- Desculpa... Acho que... Talvez... Não tenha sido uma boa ideia...

Deu dois passos em direção da porta, mas Natália a interrompeu:

- Não... Espera...

Sorriu de um jeito que deixou Paula muito mais confortável e... Não soube definir a outra sensação direito...

- A ideia foi ótima. Eu, pelo menos, gostei...

A timidez de Paula, o rubor nas faces dela... Foram ocasionados por um motivo bem diferente dessa vez:

- Você... Deve estar me achando... Bem louca, né?

O sorriso de Natália tornou-se maior ainda... Aproximou-se lentamente de Paula enquanto dizia:

- Louca eu não sei, mas linda e adorável, com certeza...

Olhou dentro dos olhos de Paula... Depois para os lábios... Depois para os olhos novamente...

O coração de Paula acelerou, um leve tremor percorreu o corpo dela inteiro... Desejou o beijo que veio... Com a mesma intensidade com que o recebeu.

Enfiou os dedos nos cabelos de Natália... Molhados, provavelmente ela tinha acabado de sair do chuveiro...

Não se importou, muito pelo contrário, só serviu para deixá-la... Ainda mais...

Gemeu... Baixinho... Sem perceber...

Puxou Natália mais para si, ela gemeu também... Subiu as mãos... Da cintura para as costas de Paula... Depois voltou a descê-las... Acariciando... Percorrendo... Encaixando os dois corpos de uma forma deliciosa, que mesclava perfeitamente... Tesão e delicadeza...

Nenhuma das duas saberia dizer quanto tempo ficaram ali, daquele jeito, provando-se, aprovando-se, conhecendo-se... Pulsações e respirações unidas, aceleradas no mesmo andamento...

Afastaram-se um pouco, apenas o suficiente para respirarem... Olharam-se... Em pleno entendimento...

Natália pegou a bolsa de Paula - que ela sequer tinha percebido que tinha caído no chão - e, segurando-a pela mão, levou-a para o quarto. Manteve-a junto de si enquanto fechava e trancava a porta. Depois se virou para Paula e sorriu:

- Será que tô mesmo acordada?

De um jeito que Paula achou lindo...

Sorriu de volta e aproximou os lábios dos de Natália, roçou de leve antes de provocar:

- Acha que é um sonho?

Natália deixou escapar uma risada absolutamente sensual:

- Eu não acho... Eu tenho certeza...

Voltaram a se beijar... Dessa vez com muito mais urgência. Caminharam juntas em direção à cama... Sem tropeços, como se já tivessem feito aquilo milhares de vezes...

Um único segundo separou-as de seu objetivo... Aquele que levou para o celular de Paula começar a tocar dentro da bolsa... Que tinha ficado... Paula não sabia, nem queria saber...

- Não vai atender? - Natália soprou, ainda com os lábios nos dela.

A resposta de Paula foi imediata, sem hesitação alguma. Saiu suspirada:

- Não...

O aparelho silenciou como se pudesse ouvi-la. Puxou o ar antes de tomar a boca de Natália novamente na dela... Gemeram juntas quando fundiram as línguas...

Paula sentou-se no colchão, levando Natália consigo...

Um instante depois, mais uma vez, o som do celular... Que Paula optou por continuar ignorando.

Afastou-se apenas o suficiente para admirar Natália... Antes de fazer o que vinha desejando desde que tinha colocado os olhos nela com aquele vestidinho: desnudá-la... Desceu as alças e deixou que a parte de cima caísse, revelando os seios que... Prendeu a respiração sem nem sentir... Eram lindos... Mais, muito mais do que havia imaginado... Foi tomada por uma excitação quase febril... Tocou-os primeiro com as mãos, depois com os lábios... Natália gemeu... Deliciosamente... Não uma vez, mas várias...

Arrancou a blusa de Paula com uma voracidade absolutamente apressada... A mesma com que se deitou, puxando-a para cima dela... Enquanto retribuía as carícias, arrancando gemidos... Agora de Paula...

O celular voltou a tocar...

Fazendo Natália perguntar:

- Não quer ver quem é? Pode ser importante...

A última coisa que Paula queria era parar... Principalmente por que... Não precisava olhar, sabia perfeitamente quem era. Letícia tinha ligado o dia inteiro. Amaldiçoou-se mentalmente por não ter desligado o aparelho ou colocado no silencioso...

Bastou um único olhar para Natália captar:

- É a sua pendência, não é?

Não definiu diretamente a quem se referia, nem precisava. As duas sabiam. Era mais do que claro.

Paula deixou escapar um suspiro exasperado... Pelo momento entre elas... Interrompido, perdido, arruinado...

Afastou-se. E se deitou ao lado de Natália. Ficou olhando para o teto, pensando... Na verdade buscando o que dizer, mas... Não lhe ocorreu nada.

Foi Natália quem rompeu o silêncio:

- Desculpa... Agora você deve estar pensando que a louca aqui sou eu...

Viraram juntas... Uma de frente para a outra... Compartilhando o mesmo sorriso:

- Louca, você? Por quê?

Natália riu de si mesma enquanto respondia:

- Você aqui na minha cama... Quase nua... Toda linda, maravilhosa, gostosa... E eu estraguei tudo insistindo pra você atender a sua ex...

Paula acariciou o rosto dela com uma suavidade delicada, quase meiga... A mesma com que falou:

- Tudo bem.

O sorriso de Natália foi puramente melancólico dessa vez:

- É, tudo bem. Tenho o resto da minha vida pra me arrepender...

Voltou a deitar de costas, fechou os olhos e mordeu o lábio inferior... Despertando em Paula um desejo incontrolável de beijá-la... Que não tentou - sequer cogitou - não satisfazer...

Quando Paula encostou os lábios nos dela, Natália deixou escapar um som indescritível... Enlouquecedora mistura de surpresa, entrega e prazer... Antes de corresponder... Com uma intensidade tão ferrenha, que Paula perdeu o próprio ar...

Foi na respiração de Natália que buscou oxigênio... Enquanto procurava e encontrava seu caminho no corpo dela... Macio, receptivo e quente... Tão abrasador que poderia queimar... Se Paula não estivesse ardendo do mesmo jeito...

Foi com um prazer profundo e urgente que explorou aquele calor... Saboreando a pele de Natália com a boca, com os dedos, com a língua... Driblando as peças de roupa que ela ainda vestia...

A maneira que ela gemia e se contorcia... Tão deliciosamente feminina... Fez com que Paula perdesse o pouco controle que ainda tinha... Com a ajuda de Natália, praticamente arrancou as roupas que as duas ainda estavam vestindo... Encaixou-se em cima dela tomada por uma pressa irrestrita de senti-la... Avassaladora, faminta, imperativa...

As unhas de Natália arranharam as costas de Paula, fazendo-a se arrepiar inteira... Os dedos se enfiaram nos cabelos, causando um prazer indescritível...

Os sussurros e gemidos foram aumentando, acelerando, se descontrolando num crescendo, seguindo os corpos, que se moviam, em desesperada e enlouquecida sintonia...

Natália colou a boca no ouvido de Paula e gemeu:

- Vou gozar...

Pediu com uma dificuldade maior ainda:

- Goza comigo...

Num tom tão deliciosamente rouco, ofegante, suplicante... Que foi demais para Paula. Mesmo se quisesse, seria impossível não fazer o que ela pediu...

Acompanhou-a... Os suspiros e gemidos se misturando... Na mesma vertigem palpitante e arrebatadora dos sentidos...

Depois ficou um tempo deitada em cima de Natália, respirando ainda de forma alterada nos cabelos dela... Foi virando o rosto devagar, os lábios procurando os dela...

Beijaram-se... De uma maneira que deixou claro que nenhuma das duas estava satisfeita, era apenas o começo...

Depois se olharam... Com tanta intensidade que Paula se sentiu derreter... Mais ainda quando Natália acariciou o rosto dela e sussurrou:

- Você é muito linda...

Paula riu... Os olhos semicerrados enquanto sacudia a cabeça de leve, num movimento de negação tímido... Que fez Natália repetir, mais encantada ainda:

- Sim, você é.

Mesmo assim, Paula continuou incrédula. Afinal... Não era ela a linda... Linda sempre tinha sido... Letícia...

Natália girou o corpo e, trocando de lugar com Paula, ficou por cima... Afirmou como se fosse capaz de ler os pensamentos dela:

- Muito mais do que imagina...

Beijou-a com paixão, a língua invadindo a boca de Paula de um jeito que fez o desejo de ambas resurgir... 

Paula virou a cabeça para o lado, para dar maior acesso à língua que passeava em seu pescoço... Estremeceu, se arrepiou e se rendeu... De forma irrestrita...

Com uma lentidão torturante, Natália desceu a boca pelo corpo dela, beijando e lambendo cada pedacinho de pele bem devagar, como se não tivesse pressa alguma...  Mas Paula tinha:

- Nat...

Não precisou mais do que isso. Na mesma hora, Natália entendeu e atendeu ao pedido...

Arrancou um gemido mais alto quando encostou a boca no sexo de Paula... Primeiro apenas passou a língua... Querendo provar, saborear, decorar o gosto que ela tinha...

Paula se contorcia e gemeu... Mais ainda... Quando Natália mergulhou nela, de um jeito absolutamente urgente e faminto... Levando Paula a chegar rapidamente, com uma facilidade incrível, muito perto do clímax...

Não pensou, apenas se permitiu... Propor o que queria:

- Vira pra cá...

Natália não compreendeu de início. Sem parar o que estava fazendo, deixou escapar um som que deixou isso claro, obrigando Paula a ser mais explícita:

- Quero te chupar também...

Não precisou falar duas vezes. Natália girou o corpo e se posicionou por cima de Paula... E foi incrível... As duas se devorando, pulsando, gozando... Juntas... Em uníssono...  Se sentindo... Se tomando... Se entregando... Em total sintonia...

Depois Natália se largou de costas na cama... Ficou deitada, a cabeça ao lado dos pés de Paula, de olhos fechados... Com um sorriso maravilhoso nos lábios...

Paula deixou escapar:

- Assim vai ser muito fácil...

Natália olhou para ela... Com a mais franca e aberta curiosidade:

- O quê?

Paula respondeu sem conseguir disfarçar o quanto estava envergonhada:

- Nada.

Só serviu para deixar Natália ainda mais interessada:

- Ah, não...

Sentou-se na cama e lançou para Paula um sorriso capaz de derreter mortais e imortais:

- Como nada?

Mas Paula tentou desconversar:

- Deixa pra lá...

Absolutamente sedutora... Natália se deitou em cima dela... Antes de insistir:

- Me conta, vai...

Paula estava... Inteiramente... Sequer sabia nomear... Foi com muito esforço que conseguiu dizer:

- Esquece... É bobagem...

Os olhos de Natália brilharam... O sorriso se tornou provocante, irresistível e... Deliciosamente incontestável:

- Eu adoro ouvir bobagem...

Beijou Paula de leve nos lábios... E insistiu:

- O que vai ser muito fácil? Fala...

Impossível para Paula continuar tentando esconder o que sentia... A despeito do que ela poderia ou não pensar... Disse a verdade... Nada mais do que a verdade:

- Me apaixonar... Por você.

Natália sorriu:

- Ótimo, por que... Eu já estou.

Paula não percebeu, mas estava sorrindo também:

- O quê?

Soou muito mais como provocação do que como dúvida... Sem hesitação alguma, Natália deu à Paula a certeza que ela pedia:

- Completamente apaixonada por você...

Durante o momento de suspensão breve que se seguiu, Paula perdeu a fala... Parou de pensar, de respirar, de se questionar... Olhou para Natália como se ainda não a tivesse visto de verdade... E, realmente, ainda não tinha...

A única coisa que pareceu importar foi o beijo que se seguiu... Desprovido de todo e qualquer sentido além de se sentirem... Como se no mundo inteiro, só as duas existissem...





Letícia desistiu de ligar para o celular de Paula, mas não de falar com ela. Pensou em telefonar para a casa dela, mas... Provavelmente ela também não atenderia.

Não pensou, apenas reuniu toda a coragem que tinha e agiu. A surpresa da ex-sogra era nítida quando abriu a porta, apesar do porteiro ter anunciado que era ela quem estava subindo:

- Letícia? A Paula não está...

Não tentou disfarçar o desapontamento:

- Ah... Tá...

Perguntou rapidamente, tentando ser polida:

- Que horas ela volta?

A mãe de Paula respondeu com um estranhamento visível:

- Ela vai dormir na casa de uma amiga.

“Sara.”
Foi a primeira pessoa em quem Letícia pensou. Indagou apenas para confirmar:

- Quem?

Pensou não ter ouvido direito...

Percebeu que sim quando ela repetiu:

- Natália.

Deu um passo para trás... Sem nem sentir... Inteiramente perdida... Ia virar-se... Só então se lembrou da mãe de Paula... Olhou para ela e gaguejou:

- Eu... Eu...

Respirou fundo... E conseguiu se controlar o suficiente para agradecer:

- Obrigada...

A ex-sogra não disse nada, apenas balançou a cabeça de forma afirmativa...

Letícia tentou esboçar um sorriso, mas só conseguiu um esgar quase tão incompreensível quanto o que disse:

- Eu não... Eu vou... Eu... Preciso ir...

Antes de virar e sair quase correndo dali.




CONTINUA NA PRÓXIMA 2a FEIRA...


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postado originalmente em 16 de Outubro de 2014 às 18:00.

 
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