sexta-feira, 10 de abril de 2015

PEQUENO DICIONÁRIO DO SEXO LÉSBICO - Parte 3


Cá entre nós: dá para acreditar que algo tão bom, que faz tão bem quanto sexo (de qualquer tipo) ainda possa ser tratado como tabu?

Em um mundo onde tantas outras coisas terríveis acontecem (se eu fosse citar não caberia neste texto), condenável é sentir desejo e/ou amar de forma não heteronormativa?


“Vivemos num mundo onde nos escondemos para fazer amor! Enquanto a violência é praticada em plena luz do dia.” (John Lennon)


Para Wilhelm Reich as enfermidades psíquicas seriam a consequência do caos sexual da sociedade, já que a saúde mental dependeria do ponto até o qual o indivíduo pode se entregar e experimentar o clímax de excitação no ato sexual (Potência Orgástica).

James W. Prescott completa afirmando que uma personalidade orientada para o prazer raramente exibe condutas violentas ou agressivas.

Ah, a razão insana da sociedade em que vivemos…

Depois disso, o que mais eu posso dizer?

Continuar nosso pequeno dicionário já é um bom começo:




Fantasias Sexuais – Conjunto de imaginações referentes a sexo que trazem estímulos para o prazer.

Fantasias sexuais… Quem disser que não tem está mentindo.

Se é bom tê-las?

Tenho mesmo que responder?

No mínimo, é uma das maneiras mais gostosas e interessantes de se apimentar a relação.

Fantasias sexuais compartilhadas liberam a criatividade, põem fim na rotina (ou nem deixam que ela aconteça), têm grande capacidade afrodisíaca e servem de estimulantes não só para a relação sexual, mas também para intimidade, sinceridade e cumplicidade do casal.

Segundo especialistas, quando bem aproveitadas ajudam a desenvolver a sexualidade e permitem que as pessoas desafiem tabus.

Fazer sempre da mesma forma pode ser confortável e até mesmo agradável, mas driblar a rotina pode ser ainda mais excitante.

Fantasiar não significa necessariamente fazer sexo de modo primitivo, selvagem ou bizarro. Nem buscar perversões. Muito menos acessórios exóticos, figurinos, situações perigosas, lugares públicos, etc.

Tudo isso pode até fazer parte, mas a fantasia sexual em si não é isso.

É simples, tão simples… Tem que ser algo que te excite. E em cima disso usar a imaginação. Brincar. Permitir-se. Realizar. Sem cair nas armadilhas da autocensura e da autocrítica.

Ter essa tolerância com você mesma facilita e muito. Para encarar as propostas e ideias – suas e da sua parceira – sem crítica, recriminação, espanto ou constrangimento.


“Compreendeu muito antes de Karen entrar com ela no quarto e fechar a porta atrás das duas.
Mas só protestou de verdade depois que foi empurrada e caiu deitada no colchão:
 – Na cama da minha mãe não!
Tentou se soltar… Sem resultado. Karen já estava sentada em cima dela, se esfregando, roçando, prendendo os braços de Letícia ao lado da cabeça… Deixando-a sem forças quase… Sussurrou de um jeito absolutamente instigante:
- Você nunca trepou na cama dos seus pais?"
(“O Infinito em Outras Voltas” – Diedra Roiz)


Explorar as sensações naturais do corpo de uma forma lúdica. Criatividade, meninas. Que mal pode fazer?

Confesso: sou suspeita. Não sou fã de pedir à La Carte, prefiro rodízio. Provar um pouquinho de tudo, tem coisa melhor do que isso?

Mas ninguém é obrigada a nada. Como dissemos na primeira parte: cada uma com o seu cada um.



Fist Fucking – ver em Penetração, capítulo ainda por vir.



Frigidez – ou a impotência sexual feminina.

Falta de desejo e de qualquer resposta sexual. Empregada para definir mulheres que não demonstram nenhum interesse em sexo ou que ficam completamente “geladas” ao toque erótico.

Apesar de ser impossível não se lembrar da música “Betty Frígida” da Blitz:

“Eu não consigo relaxar…” (Calma, Bete, calma!)

Frigidez é algo muito sério. Na verdade, uma patologia.

Não ter vontade de fazer sexo ou não atingir o orgasmo uma ou algumas vezes, ou durante um período de tempo não quer dizer que se é frígida.

A frigidez é uma ausência total de libido. Pode ser causada por fatores orgânicos, causas sócio culturais ou emocionais (na maioria das vezes). Como toda doença, tem que ser tratada por um especialista.

Nem todo mundo sente prazer da mesma forma. Nem com qualquer pessoa. De nada adianta ficar com alguém por quem não se sinta nem um mínimo de atração, com aquele pensamento “pra não ficar no zero a zero”. Em um caso desses, pode não sentir nada ou muito pouco. Frigidez? Claro que não. Escolha errada da companhia, do jeito, do dia. Tem horas que não dá, não é para ser. E pessoas que não combinam.

Aquele momento em que você se pergunta:

- O que é que eu estou fazendo aqui?

Antes nada do que aquela coisa travada horrorosa que não acontece. Não rola. Sexo traumático. Tem algo pior do que isso?

Outra coisa é: tem pessoas que demoram mais para chegar ao orgasmo. Tem dias em que se demora mais. Daí pode rolar aquele diabinho de desenho animado sussurrando no seu ouvido:

- Tô demorando demais, ela já tá cansada, tenho que me apressar…

Pronto. Já não vai conseguir.

Como toda doença, a frigidez tem cura. Assim como a dificuldade em se ter excitação ou um orgasmo.

A resposta? Que tal mudar de música?

Então…

Não se reprima!




Grelo – se você ainda não sabe, sem grilo. Releia na Parte 1: Clitóris.



Hímen – Membrana perfurada existente na entrada da vagina.

Existem tipos diferentes de hímens. Descubra qual é o seu, ou… Para quem já sabe o que tem… Recordar é viver:

  * com pequenos furos (parecendo uma peneira);

  * com um orifício (ou furo) central,

  * com dois furos;

  * com tão pouco tecido que só aparecem pequenas peles na lateral da vagina.

Em certos casos, a abertura é muito estreita ou pode não existir, requerendo intervenção cirúrgica para evitar a retenção de líquidos.

Sobre a virgindade e tudo o que ela envolve, trataremos em outra parte, ok?

Mas já adianto que achar que hímen e virgindade são sinônimos é algo absolutamente ultrapassado e.. Machista.


"- Nunca ouviu falar em hímen complacente, seu ignorante? Seu babaca!
Atacado por Júlia, Marcos não se fez de rogado:
- Hímen complacente é o cacete! Virgem que é virgem sangra!
Ela também não recuou, muito pelo contrário:
- Isso não é verdade. Qualquer idiota sabe."
(“O Infinito em Duas Voltas” – Diedra Roiz)


O importante aqui? Todas as milhares de vezes em que eu me perguntei: para que diabos serve essa porcaria?

Acabei de descobrir: o hímen existe para nos proteger durante a infância dos riscos de infecções genitais. Por isso nas meninas é uma membrana relativamente espessa e resistente, que com o aproximar da puberdade torna-se muito fina e pouco resistente.

É, não podia mesmo servir só para controlar se a mulher já “deu” ou não, né? Fala sério!

Aliás, vamos derrubar alguns mitos?

Há casos em que não há rompimento da membrana durante o ato sexual com penetração:

a) Quando o hímen é inexistente por razões congênitas (é, tem mulher que nasce sem hímen);
b) Quando o orifício único no hímen é largo;
c) Quando o hímen é complacente, ou seja: é mais elástico do que o comum. Ele volta ao estado original mesmo depois da penetração, podendo só se romper com uma penetração em que a lubrificação e/ou dilatação não seja a ideal, ou em um parto ou em um aborto. (Ninguém merece.).

EXISTÊNCIA DE DOR E SANGRAMENTOS ABUNDANTES QUANDO O HÍMEN É ROMPIDO – tudo depende do jeitinho com que o negócio é feito.

Alguns hímens realmente têm uma espessura mais grossa, por isso no momento da ruptura pode haver um pouco mais de sangramento e incômodo, mas fora isso?

Não é necessário mesmo.

Na verdade, esse medo da primeira penetração é algo que vem se prolongando durante gerações e não passa de uma tentativa de se controlar e adiar a vida sexual das mulheres.

Já repararam que quando se toma uma anestesia no dentista ou uma vacina, ficar tensa faz com que os músculos enrijeçam e aí sim dói? É o mesmo princípio.

Claro que o ideal é você estar com alguém que ama. Como nem sempre isso é possível, pelo menos alguém por quem se sinta algo, em quem se confie.

Sim, porque relaxar é preciso e para isso, tem que se estar à vontade (no mínimo).

Lubrificação vaginal e relaxamento muscular pélvico favorecem muitíssimo!

Quando as coisas são bem feitas e acima de tudo, as duas pessoas estão conscientes e perfeitamente à vontade com o que estão fazendo, não há sofrimento, pelo contrário, não é mesmo?

Se forem romper o hímen de alguém, só posso recomendar: façam com calma, amor, carinho. Cuidado para não ir com muita sede ao pote e traumatizar a menina!


Resuminho (tão cursinho pré-vestibular isso): nem todo hímen se rompe. Nem todo hímen que se rompe sangra. Nem todas as mulheres nascem com hímen. Há mulheres que sangram quando perdem a virgindade, outras não, e a maneira perfeita de você romper o seu hímen é…

Como tudo que diz respeito ao ser humano, não existem fórmulas nem receitas.

Perfeição não existe.





Homossexualidade – Atração física, emocional, estética e espiritual entre seres do mesmo gênero.

Do grego: homos = igual + latim sexus= sexo.

Primeiro foi definida como preferência sexual. Porém, o termo “preferência” significa tendência a escolher, optar, e hoje se reconhece que a homossexualidade não é uma opção, mas uma orientação sexual normal.

Por isso não levem em consideração todos os termos muito mais do que ultrapassados que eram usados na psiquiatria para nos definir. Por exemplo? Perversão, doença, patologia, desvio de caráter, modo de vida alternativo…

O termo “orientação sexual” determina vários significados diferentes e, segundo os estudiosos que detém uma visão positiva sobre o termo, As orientações sexuais mais conhecidas:

Heterossexual – Atração por pessoas de outro gênero e relacionamento afetivo-sexual com elas.

Homossexual – Atração por pessoas do mesmo gênero e relacionamento afetivo-sexual com elas.

Bissexual – Atração por pessoas dos dois gêneros e relacionamento afetivo-sexual com elas.

Então, por favor, nada de preconceito contra nenhuma delas..

E as Travestis, Homens trans, Mulheres transexuais e Transgêneros? Enquadram-se nelas, também?

Parece complicado?

É simples!

Esqueçam a genitália.

 “Ser homem” ou “ser mulher” é algo construído pela cultura. Homens e mulheres são produtos da realidade social e não da anatomia de seus corpos.

Simone de Beauvoir já afirmava em 1949 no livro “O Segundo Sexo” (Le Deuxième Sexe):

“Não se nasce mulher, torna-se mulher.”

Assim como não se nasce homem, torna-se homem também.

Não é o corpo, muito menos os órgãos sexuais que fazem alguém ser homem ou mulher. É a sua identidade, o gênero com o qual esta pessoa se identifica.

Pensa: a pessoa que nasce em um corpo feminino, mas que tem sua identidade de gênero (percepção subjetiva de ser masculino ou feminino, conforme os atributos, os comportamentos e os papéis convencionalmente estabelecidos para homens e mulheres) masculina. Ou seja: nasceu em um corpo de mulher, mas é homem. E gosta de mulheres. É um homem que se relaciona afetiva e sexualmente com mulheres. E isso é o quê? Não é heterossexualidade, minha gente?

Seria homossexual (gay) se se relacionasse afetiva e sexualmente com homens.

E uma pessoa que nasceu em um corpo masculino, mas que tem sua identidade de gênero feminina? Ou seja: nasceu em um corpo de homem, mas é mulher. E gosta de mulheres? É homossexual. Lésbica.

Se gostasse de homens, seria hetero.

Fácil, não?

Muito simples de compreender.

Mas…

E “Não Binários”, aqueles que não se enquadram no binarismo de gênero (masculino/feminino)?

E os pansexuais? Aqueles que sentem atração sexual, romântica e/ou emocional por todos os gêneros existentes, rejeitando o conceito binarista de gênero?

Sabe aquela frase:

“Quando achei que sabia todas as respostas, mudaram as perguntas”. (Autor desconhecido)

Ah, pois é…

Li um texto absolutamente esclarecedor do maravilhoso Luiz Fernando Prado Uchoa outro dia. Pode ser lido na íntegra neste link:


Mas separei este trecho para citar e encaixar aqui:


“Mais do que nunca a frase ‘Não sou nem homem e nem mulher, simplesmente sou eu’ (LUFE) é o que deveria nortear nossos seres para assim explorarmos as inúmeras possibilidades existentes e libertarmos os nossos corpos e mentes.” 
(Luiz Fernando Prado Uchôa)


Na verdade, o importante não é o rótulo, e sim, o sentimento. Somos todos seres humanos, iguais em nossas diferenças.

Não existe orientação sexual ou identidade de gênero certa ou errada, nem melhor ou pior, saudável ou doente.

A intolerância (de qualquer tipo) é que é uma doença! E o normal, o natural, é ser você mesm@. Por mais que ninguém aceite, concorde ou entenda.

O ser humano é complexo demais. Se não existem dois iguais, como podemos querer estipular um padrão de comportamento? De sentimento? De essência?

Existe (e como) quem se reprima e se proíba de ser ou fazer o que realmente quer, deseja e sente.  Mas por quê? Para quê? Vale a pena?

Não é sofrer e se frustrar muito?

Tem como não ser quem você é de verdade?

Fica aqui a grande pergunta.

Aceitar-nos e amar-nos como somos ainda é o maior desafio da vida.

Como diria Sartre: ser para si, não para os outros.



Conhecer nosso corpo e suas sensações, saber o que gostamos ou não, é o básico  para uma troca mais plena e satisfatória com nossas parceiras.

Ou seja: tem mesmo que dar uma de Discovery Chanel e fazer um mapa da mina. Ou melhor: das duas minas. Você e ela.

Descobrir o caminho para o pote de ouro no fim do arco-íris é fundamental.

Eis um bom dever de casa para antes de ler o próximo capítulo.




Aviso sobre direitos autorais: Copyright © 2015 por Diedra Roiz
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