sexta-feira, 10 de abril de 2015

PEQUENO DICIONÁRIO DO SEXO LÉSBICO - Parte 2



Repetindo:

Sexo é um campo vasto, diverso e delicioso. Há várias formas de prazer.

Ou seja, todas podem subir às alturas. Cada uma à sua maneira.

Basta querer.

Por que não parece tão fácil?

Talvez por causa de uma coisinha chamada repressão sexual.

Um conjunto de valores, regras e normas estabelecidas histórica e culturalmente para controlar o exercício da sexualidade humana, de tal forma que o que é permitido e o que é proibido passa a ser interiorizado em cada indivíduo através da família, da escola, da religião, amigos, meios de comunicação etc.

É muito sério isso. A pessoa sente dor, medo, vergonha e culpa ao infringir tais normas.

Mesmo que não tenha ninguém olhando, a pessoa simplesmente não consegue, pois a proibição vem de dentro e muitas vezes a impede de aceitar – de confessar e, principalmente, de realizar – seus desejos, vontades e/ou preferências fora do “padrão aceito”.

A consequência? Frustração, recalques e sofrimento, claro. E a pior de todas as coisas: a incapacidade de se aceitar e de amar a si mesma.

Se ainda tem quem encare o sexo entre homem e mulher como pecado, imagine então o que pensam sobre sexo entre duas mulheres.

Tem quem afirme convictamente:

- Não é normal.

- É nojento.

- Coisa do demo.

- É o fim dos tempos!

Estou mentindo?

Muitas pessoas passam a vida negando a própria sexualidade por conta disso. É triste.

Como não é o nosso caso, vamos que vamos continuar nosso Pequeno Dicionário do Sexo Lésbico, meninas!




Camisinha – Ou preservativo. Usada como método contraceptivo (não é o nosso caso), ou para evitar a transmissão de diversas Doenças Sexualmente Transmissíveis – DSTs (é o nosso caso).

Tem dois tipos:

Camisinha Feminina – Tem a mesma função da camisinha masculina, mas é muito menos usada, talvez por ser menos divulgada e por ainda existir certo preconceito contra ela.

A coitada é geralmente comparada a um coador de café.

Além disso: é mais cara, não têm em várias cores, aromas e tamanhos, e onde tem (não é todo lugar) fica sempre meio escondida.

É mais larga do que a camisinha masculina, e possui um aro em cada extremidade. Feita de poliuretano mais fino que o látex do preservativo masculino. O lado fechado serve para fixar dentro da vagina corretamente.

Camisinha Masculina – feita de látex ou poliuretano e geralmente já vem lubrificada, existindo em várias cores, aromas e tamanhos.

Caso alguém tenha se perguntado: o que sexo lésbico e camisinha têm a ver?

Duas palavrinhas: sexo seguro.


Muitas lésbicas acreditam que não podem contrair DSTs ou HIV fazendo sexo com outras mulheres.

Isto não é verdade!

Existe risco de transmissão em toda prática sexual em que o sangue (inclusive o menstrual) ou secreção vaginal de uma mulher entre no organismo da outra, através de feridas ou micro lesões já existentes (uma feridinha na boca, na gengiva, no dedo ou na unha) ou resultantes das próprias práticas sexuais.

Grupo de risco é quem não se protege.

Então não se arrisque. Proteja-se, informe-se!






Clitóris – Órgão alongado e erétil, localizado na parte superior da vulva. A palavra deriva do grego kleitorís. Popularmente conhecido como “grelo”.

Acredite se quiser, no dicionário, a “descoberta” (é um continente perdido, como Atlântida? Para algumas pessoas, talvez…) desta região é normalmente atribuída a Kasper Bartholin, no século VXII, que afirma que ele (o clitóris) já era conhecido desde o século II A.C.


Que bom que alguém descobriu, senão eu realmente nunca ia saber de sua existência. Leia-se: Fala sério!

Apesar de que… Tem muita gente que não liga o nome à coisa ou que nunca se viu cara a cara com a coisa…

Bom, é considerado o principal órgão do prazer feminino. Na verdade, eleito a parte mais sensível de todo o corpo feminino.

Alguém discorda? Não? Por que será, hein?


Realmente é eficiente, rápido e muito compensador também (quase os critérios para a escolha do funcionário do mês, né?).

Portanto, dedos, línguas e qualquer outra parte do corpo (ou de objetos) que você quiser nele, mas… Tem mais, muito mais. Clitóris não é tudo, minha gente.




Coito interrompido – Método de contracepção no qual, durante a relação sexual, o pênis é removido da vagina logo antes da ejaculação? Famoso “tirar fora”? Se estivéssemos falando de sexo hetero, sim.

No caso de sexo lésbico? Não!

É o famoso “corta tesão” ou situação brochante.

Algumas mulheres são mestras. Eu tento com todas as minhas forças não ser uma delas.

A frase ou “coisa” errada na hora errada ou no lugar errado… Capaz de fazer uma das duas virar para o lado ou levantar e começar a se vestir.

Resumindo: algo que corta o clima. O que exatamente? Não tem regra, varia. De pessoa a pessoa, intimidade, dia.



“Desabotoei o jeans que Flávia usava, o desci puxando a calcinha junto antes de também me despir e deitar puxando-a sobre mim, nós duas já inteiramente nuas… Ela começou a se esfregar e foi então que explodiu, não consegui mais segurar:
- Foi assim? Foi? Foi assim que você fez com ela?
Primeiro Flávia ficou paralisada, depois se desvencilhou e se sentou na cama, me dando as costas.”
(Diedra Roiz em “Ah… Se Todas Fossem Sandra” – história escrita em parceria com Jennyfer Hunter) 



Cópula – Não tem nada a ver com Francis Ford Coppola. É um sinônimo de ato sexual.



Cunilíngua – Prática de sexo oral que consiste na estimulação da genitália feminina com a língua e boca, principalmente o clitóris e a entrada da vagina. Em Portugal, esta prática é vulgarmente conhecida como “minete”.

Ou seja: É o sexo oral feito na mulher.

Com certeza, considerado o papai-mamãe do sexo entre duas mulheres. O básico do básico mesmo.

Fácil, simples e certeiro. Será, gente?

Preciso dizer que a saliva serve como lubrificante? Ou que o objetivo é estimular o clitóris com cuidado e delicadeza para não machucar? Ou que se pode – e deve – usar a ponta da língua, a língua inteira, os lábios etc e etc? Acho que não, né?

Nem para ter criatividade com as posições. Todas aqui sabem muito bem (assim espero).

Vale lembrar que - embora quase ninguém faça isso - usar camisinha ou um pedaço de papel filme ou PVC também é importantíssimo no sexo oral, para evitar o risco de contágio das doenças sexualmente transmissíveis.

É, eu sei. Difícil imaginar a seguinte cena: você lá no meio da empolgação puxa um rolo de filmito de debaixo do travesseiro e abre, como se fosse enrolar um sanduíche… O maior corta clima?

Anos atrás, os homens pensavam a mesma coisa da camisinha masculina.

Muitas nunca devem ter ouvido uma frase básica nos anos 80 e 90: “Eu não dou no primeiro encontro.” Entre as lésbicas mais prevenidas, foi adaptada para: “Eu não chupo no primeiro encontro.”





Dildo – ou consolo (caramba, que nome triste! Tipo: não tem pênis, então se consola com isso? Não é bem assim!).

Para as mais íntimas com o dito cujo, é o famoso “brinquedinho”.

Objeto em formato que imita um pênis com o intuito de ser usado para provocar estímulos sexuais através do contato, fantasia ou penetração oral, anal ou vaginal.

Nesse ponto já não preciso mais dizer que é para usar camisinha, né? Acabamos de passar por esse item.

O que eu gostaria de frisar aqui é: ser lésbica não tem nada a ver com não gostar de penetração. Na verdade, nem com não gostar de pênis.

Aqui você se pergunta: você enlouqueceu?

Respondo um sonoro: Não!

Ser lésbica é gostar e se apaixonar por mulheres. Não é detestar homens, nem a negação de algo. Muito menos aquela coisa idiota que algumas pessoas têm a coragem de perguntar para a gente:

- É algum trauma ou decepção? Algum homem que te fez sofrer?

Ou pior:

- Não encontrou o homem certo, que te coma direito.

Só existem duas respostas para uma frase tão infeliz e – desculpe, não tenho como evitar: – cretina!

Se proferida por um homem:

- Nem você.

Caso venha de uma mulher:

- Você é que não encontrou a mulher certa, meu bem.

É tão difícil assim de entender?

Todos os namorados que eu tive foram maravilhosos. Não tenho nada para reclamar. Nada mesmo. Muito menos sexualmente.

Ser lésbica não é uma questão de achar sexo com homens ruim. É achar e sentir que com mulheres é muito melhor. Só se apaixonar e amar mulheres. Simples demais, não?

Aprofundando só um pouquinho mais: na vida, não somos. Estamos.

Tudo bem, a gente afirma: sou lésbica!

É um rótulo político. Muito necessário, pois ainda estamos muito longe de conseguir o espaço devido. Mas confesso que sonho com um mundo onde eu não precise afirmar nem rotular a minha sexualidade.

Onde não faça diferença.

E seja possível afirmar: eu estou lésbica.

Sem culpas, neuras, crises de identidade, preconceitos, nem problemas.

Mas então, né… Voltando ao preconceito contra os dildos:

Fazer sexo com uma mulher e um dildo – e gostar – não faz dela nem de mim menos lésbica. Entende o que eu quero dizer?

Parece básico? Só que nem.

Todas sabem que existe muita intolerância no mundo. No brejo também.

Tudo que dá prazer é válido e numa boa? Sou completamente aberta a experimentar o que me é proposto, sempre. Acho que sexualmente tudo é válido, se as pessoas envolvidas quiserem.

Cá entre nós: faz sentido reclamar contra o preconceito e ser preconceituosa também?

Criar milhares de “isso pode” e “isso não pode”? Regrinhas discriminatórias entre nós? Para quê?

Quer usar dildo? Usa!

Não quer usar? Não usa!

Como diz Daisaku Ikeda: 

“Dedicar tanto tempo ao meu aperfeiçoamento pessoal que não sobrará nenhum tempo para criticar os outros.” 

Só não aceito é dizerem que se usa dildo por:

- Falta de homem.

- Dedo não satisfazer.

- Ser falsa lésbica.

E coisas do gênero.

Ter tolerância é fundamental, porque como diz o slogan da ONG Meta Social: “Ser diferente é normal”.




DST – É a sigla para Doença Sexualmente Transmissível. Antigamente, conhecidas como doenças venéreas.

Alguns exemplos de DST: HIV, Sífilis, cancro mole, candidíase, herpes simples genital, gonorréia, HPV, linfogranuloma venéreo, pediculose do púbis, hepatite B etc.

Usar camisinha (masculina ou feminina) é o melhor jeito de evitá-las.

Sexo sem prevenção?

Existe um jogo chamado Roleta Russa.

Os participantes colocam uma bala – uma única bala – em uma das câmaras de um revólver. O tambor do revólver é girado e fechado, e a localização da bala é desconhecida. Cada participante aponta a arma para sua própria cabeça e atira, correndo o risco de morrer caso a bala esteja engatilhada na vez em que ele ou ela apertar o gatilho.

É um jogo de azar. De risco. A aposta é a vida.

Você joga Roleta Russa? Espero sinceramente que não.

A maioria do material sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis ignora o fato de existirem lésbicas e mulheres bissexuais, não informa nada sobre transmissão e prevenção em relações sexuais entre duas mulheres, mas no site do Laços e Acasos do Grupo Arco Íris existe uma cartilha perfeita, feita só para nós.

Basta acessar:


Deem uma olhada, pois vale muito a pena!

E é sempre melhor prevenir do que remediar, não é mesmo?




Ejaculação feminina – Apesar de até hoje muitos ainda afirmarem que é uma lenda ou mito, eu já vi e vivi e, portanto, garanto que existe.

Caracterizada pela excreção de um líquido claro, às vezes viscoso, ralo e geralmente inodoro durante o orgasmo.

Nem todas as mulheres ejaculam e, mesmo as que o fazem, não ejaculam sempre.

Geralmente é observada em mulheres que têm múltiplos orgasmos ou aquelas que atingem o clímax através da estimulação vaginal.

Médicos, pesquisadores e cientistas afirmam que todas as mulheres podem ejacular, a questão é que a grande maioria nem sabe que isso é possível.

Aliás, na maioria das pesquisas, apenas a alarmante percentagem de 10% das mulheres atingem os orgasmos múltiplos.

Para dizer a verdade, as mesmas pesquisas apontam algo mais assustador ainda: 75% das mulheres apresenta algum tipo de dificuldade em alcançar o orgasmo.

Para tudo!

Lésbica, hetero, bi, não importa, dá tudo no mesmo. Ter orgasmos múltiplos é prioridade, direito inerente e indispensável do ser feminino!

Quem ainda não faz parte desses 10% (que tem orgasmos múltiplos, vamos repetir para não esquecer) tem obrigação de correr atrás do prejuízo!

Procurar e encontrar o caminho.

Sexo é um campo vasto, diverso e delicioso. Há várias formas de prazer.

Ou seja, todas podem subir às alturas. Cada uma à sua maneira.




Por enquanto é só, meninas.

Fim da segunda parte.

Preparem-se para a continuação.

Ou seja: todo mundo atrás dos orgasmos múltiplos!

Temos até a semana que vem…




Aviso sobre direitos autorais: Copyright © 2015 por Diedra Roiz
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