sexta-feira, 10 de abril de 2015

PEQUENO DICIONÁRIO DO SEXO LÉSBICO - Parte 1


Sinceramente?

Sexo é algo engraçado, se analisarmos racionalmente. Faz algum sentido?

Pensa: não é estranho duas pessoas de repente ficarem se beijando, se amassando e se pegando?

Ah… Mas quem é que é racional numa hora dessas? Hein?
!
Aliás, quem é que quer analisar? A gente quer é fazer!

Tesão, atração sexual, desejo. Por causa disso, muitas pessoas já perderam dinheiro, a vergonha, o amor próprio e até a cabeça.

Sim, sexo é bom! E como! Principalmente se bem feito. Com a pessoa certa então… Uhm…

Ai, ai…

Vamos parar por aqui, né?

Ou não?

Dizem por aí que sexo foi feito para a reprodução. Se for assim estou lascada, porque até onde sei, pelo menos por enquanto (o futuro não sei, não duvido de nada) sexo com outra mulher... Não engravida.

Tabu, mistério, obrigação, vontade, necessidade, medo… O sexo tem muitas faces. E fases. E formas. E meios. E jeitos.

Depende não só da gente, mas com quem se faz.

E por mais que seja “como andar de bicicleta, nunca se esquece”, a primeira vez com aquela que amamos é como recuperar a virgindade.

Não no sentido de não saber quantas pernas e braços temos, ou ficar toda atrapalhada. Estou dizendo por dentro. O coração bombando de um jeito que parece que vai ser ejetado do peito. Os beijos fatais para quem tem algum problema respiratório. E a pele… O contato da pele… Desafiando as leis da química, física, matemática… Nada de exato no que sentimos. Assustador e lindo.

“[...] Deliciosa sensação de tontura, loucura, desterro... Como um redemoinho arrebatador, extraordinário, delirante... Sugada por um magnífico buraco negro... Mergulhada num fascínio deslumbrante, que a levou a ver, tocar e experimentar estrelas...” 
(Amor a qualquer Preço - Diedra Roiz)

Sexo com amor.

Indescritível.

Mas… Não se pode ficar esperando a vida inteira. E enquanto o amor não chega, tem sim o sexo sem amor. Nada contra. Pelo contrário. Se houver vontade e concordância por parte das duas - ou mais - pessoas envolvidas, claro.

E repito: se for bem feito.

Agora cá entre nós: o que diabos é sexo bem feito? O que faz uma mulher ser boa de cama? Tem alguma fórmula mágica, receita, estilo de performance? Algum padrão?

Minha humilde opinião? É feeling. Sentir a outra, acompanhar o ritmo. Saber guiar também. Às vezes duelo, às vezes dueto. Sintonia fina a duas.

Tem a química também. Às vezes rola, às vezes não. Mas não se precisa chegar na cama para ver se bate. Isso se descobre num simples beijo. Ou não?

Sexo é um contrato tácito entre as partes. O que for acordado é válido e ninguém tem nada com isso. Não existe certo e errado. Nem juízo de valor, muito menos limites.
Se as duas - ou mais - querem, gostam, sentem prazer, por que não?
Bom, o assunto é como o universo: infinito.

Tanto que, com certeza, vou acabar me esquecendo de algo. Bem provável. Se isso acontecer, acrescentem nos comentários, por favor.

Para facilitar, achei melhor elaborar uma tentativa de pequeno dicionário. Quem sabe assim debatemos de forma bem humorada, alguns tópicos do sexo lésbico?

Prometo me esforçar.

Ficou enorme - como não poderia deixar de ser - por isso tive que dividir em oito partes. Vamos lá:




Abstinência Sexual - corresponde à privação de relações sexuais. Ou seja: é quando você não faz sexo.

Ninguém tem nada com isso. Só você.

Mas se questione (se questionar sempre faz bem): por quê?

Esperando a princesa encantada? Desencanto? Trauma? Medo? Ou falta de vontade mesmo?

Tá feliz? Se sim, continue, siga em frente. Perfeito!

Não tá feliz? Tem algo errado, por que… Não viemos ao mundo para sofrer. Parece slogan, mas é verdade: a resposta/solução para tudo na sua vida está dentro de você.

Não me venha com aquela velha historinha de:


 “Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor..”
 (“Ninguém me ama” - composição: Antônio Maria e Fernando Lobo)


Isso não cola. Tá dentro da sua cabeça. Ame-se primeiro você!

OBS: Se você for uma monja budista, freira ou por alguma outra razão tenha feito voto de castidade, esqueça tudo o que eu falei, ok?

Mas só pra matar a minha curiosidade… Por que uma abstênia convicta está lendo isto???




Afrodisíaco – qualquer substância a qual se atribuem propriedades estimulantes sexuais. O nome deriva da deusa grega Afrodite, divindade relacionada ao amor em seus diversos aspectos.

Ou seja: aquela coisa que a gente realmente acredita que aumenta o desejo sexual, e a excitação. A gente acredita tanto que funciona. Auto sugestão?

Exemplos: anchova, ostras, caviar, alcaçuz, chilli, curry, chocolate, coxas de rã, carne de avestruz, trufa, morangos, pétalas de rosas cândidas, Ginseng, Miura Puama, Mandrágora, Catuaba, corno de rinoceronte e… Esperma de cervo? (eca!) Esses dois últimos, realmente surreais...

Se você precisa mesmo disso para se animar, tem alguma coisa estranha. Ou não?

Aqui só faço um pequeno parêntese: Ecstasy.

Quem me conhece sabe que tenho razões mais do que suficientes para - e posso - ser careta. Não recomendo. E questiono: para que se tomar um negócio que te faz beber água como louca, correr o risco de ter uma parada cardíaca e sentir vontade de beijar qualquer coisa que se mexa?

Para mim, o melhor afrodisíaco é o que eu sinto pela pessoa com quem eu estou.




Banheiros É como eu digo no MANUAL PRÁTICO DE COMO SE PERDER A ALMA:


“Provavelmente os casais heteros, que podem se beijar e se pegar a vontade, não sabem a importância nem o significado dos banheiros públicos para gays e lésbicas.”
“Ir ao banheiro numa boate gay pode ser estratégico, perigoso ou proveitoso. Depende da intenção, do dia, do nível etílico em que você se encontra, das companhias e principalmente do seu estado civil…”


Qual é a graça? Muita gente se pergunta.

Em primeiro lugar, adrenalina. Fazer sexo num privado que é público. As pessoas não podem ver, mas se você descuidar, escutam ou... Enfiam o celular por cima ou por baixo da porta, filmam e divulgam nas redes sociais (Hoje em dia todo cuidado é pouco, meninas!)

E depois, quando tudo termina e você abre a porta… É ou aquela coisa básica de primeiro sai uma e depois a outra, ou se simula que uma estava passando mal (apesar de eu achar que isso não cola nunca! Afinal, você sempre sai um pouco amassada, descabelada, marcada e com um sorrisinho bobo… Enfim…) ou então encarar e sair as duas juntas.

O que eu posso dizer? Ter o título de “Miss Banheiro” não é nada bom. Mas, para apimentar a relação, muito de vez em quando (a idade está me deixando preguiçosa, fazer o quê?), se as duas estiverem de acordo, aí é muito mais do que gostoso.




Beijo – do latim “basium”, é o toque dos lábios em qualquer coisa, mas aqui o que interessa é quando é numa pessoa.
O beijo nos lábios de outra pessoa é um símbolo de afeição romântica ou de desejo sexual.

É como dizem: “Tudo começa com um beijo…”

Por isso, não tenham dúvida: saber beijar é fundamental!

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas… O que diabos é beijar bem?

Existem técnicas? Claro que sim. Tem gente que pratica com a mão, com laranjas e até com algumas amiguinhas (Desculpa esfarrapada essa, hein? Abusando da inocência e boa vontade das outras meninas… Ou quem sabe, é o contrário - elas abusam de você, abra os olhinhos!). Tem a flexão de boca... Desconhece? É simples. Deite e cole os lábios no chão (limpe antes, por favor) e faça com eles um movimento de sobe e desce, como faz com os braços na flexão. Não sei se dá resultado, nunca tentei, mas... Dizem as más línguas que foi assim que a boca da Angelina Jolie ficou daquele jeito.

Brincadeirinhas à parte...

Beijar nada mais é do que sentir. Deixar rolar, se deixar levar, se entregar, conduzir… Não tem ensaio, é preciso estar aberta ao improviso.

Assim como os segundos não se repetem, e cada um é único, não existem dois beijos iguais. Por isso mesmo, não tem receita.

Tem bocas que não combinam? Não sei… Não combinam ou na hora uma das duas trava? Como tudo na vida, tem o momento certo. Pode ser só azar, ou talvez incompatibilidade química exista mesmo. Quem pode saber?

O fato é que o beijo certo é algo incrível. Aquele efeito de corrente elétrica misturado com a prova real de que as forças magnéticas existem. Acende, esquenta, incendeia, gela, levita, desafia todas as leis da física… UAU!

Melhor prosseguir…

Destaquei três tipos de beijos (apesar do Kama Sutra citar trinta):

Selinho - Embora sejam comuns dentro da família dos beijos nos lábios, é um beijo rápido, de leve, mero roçar.

A gente dá selinho em amigos, sobrinhos, irmãos, filhos. Não indica relacionamento amoroso e dificilmente só ele vai levar a uma relação sexual, mas… Tudo é relativo. Tem quem faça sexo até sem beijar. Cada uma sabe o que faz (espero).

Pode ser um bom começo. Uma boa forma de provocar.

Beijo de língua - é uma forma de beijo de forte conotação erótica, em que as parceiras fazem movimentos com a  língua um da outra.

O beijo de língua é muito prazeroso e - por incrível que pareça, porque é algo que cada vez mais se torna banal - altamente íntimo.

Muito frequente antes, durante e depois das relações sexuais, por que… Ah, isso dispensa explicações!

Devido à intimidade associada, o beijo em público entre pessoas do sexo oposto é considerado falta de educação em alguns poucos lugares do mundo.

Entre pessoas do mesmo sexo, infelizmente ainda é considerado ofensivo na maioria dos lugares.

Taí um ponto principal - e doloroso - apesar de parecer simples. Pequena coisa que nos esfrega o preconceito na cara todos os dias.

Quem nunca viveu isso: você sentada no bar com sua namorada ou esposa. Do lado um  casal hetero se engolindo, a tal ponto que dá vontade de gritar:

- Arrumem um quarto!

Se vocês duas dessem um beijo, um único beijo, por mais light que fosse, iam com certeza, no mínimo, arrumar alguns olhares feios. Até que ponto se expor, se indispor em público vale a pena?

Estamos tão condicionadas a pensar que não pode, que é perigoso, abafa o caso, que acabamos nos conformando com sermos empurradas e trancadas nos guetos. Até quando?

Há muitos anos atrás, na Era Jurássica... Eu estava na rua com a minha segunda namorada e ela veio se despedir com um selinho. Na mesma hora eu vi uma velhinha passando do nosso lado e… Desviei.

Evitei o roçar de lábios, que acabou se transformando em beijo no rosto.

Foi um impulso. Sem pensar, movimento involuntário? Lavagem cerebral mesmo.

Depois fiquei chocada comigo mesma. 

Voltando:

No beijo de língua, as parceiras trocam saliva, o que pode servir para aumentar a excitação. Embora a maior parte das DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) não sejam transmitidas através do beijo, é possível contrair algumas doenças por meio dessa prática, como é o caso da mononucleose infecciosa.

Ou seja: não é para sair beijando geral, nem qualquer pessoa?Escolha pessoal de cada uma. Ninguém tem nada com isso!

Só aconselho uma coisa: quer beijar? Beija!

Mas não vem no dia seguinte dar uma de galinha morta ou Joana sem braço:

- Ai, o que foi que eu fiz?

Muito menos culpar a quantidade de álcool ingerida.

Até por que... Como diz o ditado popular: “A bebida entra e a verdade sai...”

Bebeu - e beijou - porque quis!

Hipocrisia, não, please!

Assuma o que faz, bata no peito:

- Beijei mesmo a boate inteira, e daí?

Se não sabe brincar, não desce pro Play!

Beijo em outras partes do corpo - Só na Terceira Parte. Em Preliminares. Só adianto para as desavisadas que é TUDO de bom!




Bissexualidade – Pessoas que se relacionam amorosa e sexualmente com pessoas de ambos os gêneros.

Ou seja: é quando a primeira faz tchan, a segunda faz tchun e… Tchan tchan tchan tchan!

Gilete. Jogar nos dois times. Mulheres que gostam igualmente de sorvete de chocolate e de morango. Tanto que não conseguem escolher. Daí comem os dois, variando sempre.

Cada uma come o que quer, não é mesmo? Qual o problema?
Porém, sexo sem amor se faz até com o travesseiro.

É o afeto que determina. Só se apaixona por meninas? Só por meninos? Ou por meninos e meninas? O terceiro caso é a bissexualidade.

Como Renato Russo tão brilhantemente definiu:

“E eu gosto de meninos e meninas...”





Bondage - É um tipo específico de fetiche, geralmente relacionado com sadomasoquismo, onde a principal fonte de prazer consiste em amarrar e imobilizar sua parceira ou pessoa envolvida. Pode ou não envolver a prática de sexo com penetração.

Os objetos mais utilizados nesta prática são: cordas, algemas, algema de dedos, grilhões, coleiras, mordaças, correntes e vendas.

Mais em Sadomasoquismo, na Parte 4.



Por enquanto é só, meninas.

Fim da primeira parte.

Enquanto a Parte 02 não vem...

Respirem.

Inspirem-se.

Abram olhos, corações, mentes e o que mais vocês quiserem...

Liberem e agucem todos os sentidos.

Temos até o próximo capítulo…



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