sexta-feira, 10 de abril de 2015

PEQUENO DICIONÁRIO DO SEXO LÉSBICO - Parte 8


Oitava e última parte, meninas!

Vamos lá:



Sexo Casual – ou sem compromisso

É fazer sexo com alguém, sem pretensões de mais nada, nem vínculos afetivos. É apenas físico.

Só sexo. Nada pessoal.

Dizem por aí que mulheres não conseguem fazer sexo sem afeto, emoção ou envolvimento.

Lenda urbana.

Mentira.

Não se deixe enganar nem manipular. Sempre verifique a informação antes de acreditar, compartilhar ou repetir…

As mulheres – independente de serem cisgênero, transgênero, lésbicas, heteros, bi ou pansexuais – são capazes de tudo, podem fazer tudo, inclusive sexo casual sem envolvimento.

Nada de mal ou de errado, nenhum problema nisso.

Cada uma com o seu cada um.

Claro que sempre tem quem pense:

- Não é preconceito, eu só acho errado…

Mas a única resposta para este tipo de discurso / pensamento repressor e intolerante é:

- Errado é impedir a liberdade de outras pessoas.

Alguém duvida?

Não?

Então vamos para o próximo ítem.


Sexo Grupal – ou suruba ou bacanal ou ninguém é de ninguém

O sexo grupal é um comportamento em que mais de duas pessoas (três, quatro, cinco, dez, vinte, etc) praticam atos sexuais juntas.


“Um pouco tonta pelo ataque repentino, a única coisa que Angela conseguia pensar era: três bocas e seis mãos em cima de mim!
As três “inhas” se embolaram com ela entre a geladeira e a pia, numa confusão tamanha que Angela já não conseguia mais saber quem era quem. Elas se revezavam tocando-a por baixo das roupas, beijando às vezes a duas, outras a quatro ou a três.”
(“Simples Como o Amor” – Diedra Roiz)


Se você for possessiva, fique longe!

Nem preciso explicar o porquê, né?

As formas mais conhecidas são:



Ménage à Trois – ou sexo a três –  já discutimos anteriormente



Swing – ou troca de casais

Swing não é sexo grupal feito por quatro pessoas aleatórias. É o que é feito por dois casais estáveis que trocam de parceiras.

Porém, existem correntes que também consideram Swing quando um casal adiciona uma ou mais pessoas em uma relação sexual.

Ou seja: para ser Swing, tem que ter um casal no meio.



Orgia – Convencionalmente quando são 5 ou mais participantes

O que dizer? Repito o que disse em Ménage à Trois:

Nunca dividiria a mulher que eu amo com ninguém. Trocar, muito menos. E nada que eu pudesse fazer com outra pessoa valeria a pena porque comparado ao que é feito com a minha gaúcha… Uhm… Sem chance mesmo!

Não tenho nada contra (sei que isso já está ficando repetitivo, mas… é verdade, fazer o que?). Cada uma sabe do que gosta, o que quer, o que deseja. No caso de um casal, as duas estando de acordo realmente, sem problemas.

Só queria frisar uma coisa: já vi casos em que uma das duas topou única e exclusivamente para agradar a outra, com medo de perder a parceira. Isso não dá certo, viu? É a maior furada, NO WAY!

Sinceridade é a base de qualquer namoro ou casamento. Entre as duas, claro. Mas em primeiro lugar com você mesma.

Para encerrar o assunto de forma descontraída, impossível não lembrar:

“Fui convidado pra uma tal de suruba,
Não pude ir, Maria foi no meu lugar
Depois de uma semana ela voltou pra casa,
Toda arregaçada não podia nem sentar
Quando vi aquilo fiquei assustado,
Maria chorando começou a me explicar
Dai então eu fiquei aliviado,
E dei graças a Deus porque ela foi no meu lugar
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda,
E ainda não comi ninguém!”
(“Vira-vira” – Mamonas Assassinas – Dinho / Júlio Rasec)





Sexo Virtual – ou Cybersex

Sexo via Internet.

Alguns consideram como um tipo de compulsão sexual. Outros,  uma fuga da realidade, das dificuldades para enfrentar distúrbios de sexualidade.

Sinceramente? Eu não sei.

Existem inúmeras razões para se fazer sexo virtualmente. Por namorar à distância, por medo do contato real com outras pessoas, por não ter opção de lugares LGBT no local onde moram, por estarem no armário, para esconder a identidade verdadeira, para dar vazão aos desejos e fantasias sexuais sem medo…


“- Tu fica te masturbando na frente do computador?
Achou o tom de reprovação engraçado. Vindo logo dele, que antes de Leandro, desconhecia o nome de mais da metade da enorme quantidade de caras com quem fazia sexo… Um sorriso fatigado surgiu nos lábios de Maurícia:
- Eu não achava mesmo que tu fosse entender.
Como poderia? Era outro universo, que ele sequer sonhava conceber.
- Não seria mais fácil… Fazer com alguém… De verdade?
Não se deu ao trabalho de tentar explicar:
- Pra ti, talvez.”
(“Na Distância em que Eu te Encontre” – Diedra Roiz)


Realmente, algumas pessoas optam por passar horas sem fim na frente de um computador, navegando em sites com conteúdo sexual, querendo satisfazer seus desejos.

Quando isso vira uma compulsão, um vício, uma dependência, aí sim é um problema.

Mas se não atrapalha as outras atividades, nem faz com que você se torne uma reclusa que não se relaciona com ninguém sem ser online, tudo bem.

Porque pessoas precisam de pessoas. De pele, gosto, cheiro, calor humano mesmo. Assim como os diamantes, só nos lapidamos com o atrito que só o contato real oferece. Por isso o virtual nunca vai ser suficiente.

Da mesma forma, apesar de toda a tecnologia que o cinema e o vídeo oferecem, as pessoas continuam indo ao teatro. Onde os atores cospem, transpiram, erram. No tempo real, onde tudo pode acontecer. Humano até demais. Sem a edição que a tecnologia proporciona. A artificialidade fria das máquinas jamais pode substituir esse tipo de contato.

Olhar nos olhos de uma pessoa – a que amamos principalmente – é como mergulhar no universo inteiro. Através da internet não é a mesma coisa. É frustrante e insuficiente.

Isso é o que eu acho. Não é uma verdade absoluta, ok? Cada uma sabe o que sente e o que deseja.





Sexo tântrico – Surgido na Índia, há 5 mil anos.

O objetivo principal é prolongar a excitação sexual do casal.

Ou seja: muito mais prazer, meninas!







Sexting – forma de expressar a sexualidade usando a Internet ou aparelhos celulares.

A pessoa produz, envia e/ou posta fotos sensuais de seu corpo nu ou quase nu.

Envolve também a troca de mensagens de texto eróticas, convites e brincadeiras sexuais entre namoradas, pretendentes e/ou amigas.

Hoje em dia, a descoberta da sexualidade na adolescência conta com a ajuda de amigos e amigas nas redes sociais, de respostas obtidas em ferramentas de busca como o Google e de conversas íntimas feitas com conhecidos virtuais.

Isso pode ser interessante, mas…

Pode ser muito perigoso também.

Afinal…

Palavras não são atos…

Nem tudo que reluz é ouro…

As aparências enganam…

E nem todos são amigos na rede, tem muito perfil fake!

A sensação de estar anônimo pode fazer com que se tenha menos vergonha de falar algumas coisas ou de se expor um pouco mais. Mas todo cuidado é pouco, nem sempre quem está do outro lado da tela é quem diz ser…

Pior ainda: tudo que postamos pode circular muito além do que imaginamos!

Por isso… Pense bem antes de postar!

Se você ou alguém publicou alguma foto íntima e se arrependeu ou se alguém publicou fotos suas sem sua autorização, o site SaferNet dá dicas, orientações e tem um espaço para denúncias, basta acessar:






Tribadismo – ou fazer sabão, colar o velcro, roçadinho, lesco-lesco ou frottage

Do grego tríbados = esfregar.

Basicamente, é o ato de roçar, esfregar o sexo no da parceira.

Mas também pode ser praticado em diversas posições e em diversas partes do corpo.

Roçar da parte genital (na verdade, o clitóris é a meta) na perna da outra, no osso púbico, glúteos, etc.

Pode ser feito com roupa (muito anos 80), porém… Uhm… Nada como o contato das peles…

Mil possibilidades.

Este tipo de estimulação genital pode – e deve – levar ao orgasmo simultâneo.

Bom, pode-se dizer que é o “Papai-mamãe” do sexo lésbico. É o básico, né?

Mas um básico que, ao contrário do que muitxs ainda pensam, não se restringe a um “rock das aranhas” apenas.

É extremamente sensual. Excitante e intenso. Os corpos se tocam, se roçam, se esfregam por inteiro. Dançam. Enquanto as mãos, bocas e línguas  exploram, na mesma. explosiva e arquejante variação de ritmos. Incandescente troca de fluídos e sentidos. Prazer, satisfação, gozo em uníssono.

Preciso dizer mais do que isso?




Virgindade – do latim virgin-is = mulher jovem ou menina

No dicionário: pessoa que ainda que ainda não foi iniciada na prática de coito, ou relação carnal ou cópula. Ou seja: que ainda não teve experiências sexuais com outra pessoa.

Um termo comum para “perda da virgindade” é iniciação sexual.

O conceito virgindade é construído pela sociedade, e pode variar entre as culturas, sendo mais aplicado a mulheres.


“De um jeito condescendente, quase explicativo, Yasmine falou:
- Se duas pessoas fazem uma com a outra, deixam de ser virgens, né? Você só é virgem enquanto só faz com você mesma.
Paula parou… Pensou, mas não falou:
É, faz sentido. Muito mais do que levar em conta apenas o hímen…”
(“O Infinito em Outras Voltas” – de Diedra Roiz)


Muitos em nossa sociedade ainda consideram que uma mulher só perde a virgindade quando “perde” o hímen.

Da mesma forma, a sociedade espera que esta perda do hímen ocorra com a penetração vaginal por um pênis.

Essa visão é conservadora – uma vez que despreza a realidade atual, onde as mulheres buscam uma vida sexual mais independente e livre, e é heterossexual, uma vez que considera apenas a penetração vaginal pelo pênis.

Além disso, como vimos anteriormente, mulheres podem nascer sem hímen ou apresentar hímen complacente (aquele que não rompe no ato sexual) ou ter pênis.

Neste caso, a perda da virgindade seria o quê?

Muitas dúvidas surgem a partir daí:

E quem rompe o hímen com masturbação? Ou sendo penetrada por dedos? E se você fizer sexo oral ou anal, mas ainda tiver o hímen intacto?

Como saber se uma mulher é virgem?

De verdade?

Isso importa?

Se ela for vai te dizer. Com certeza. Para que você possa – ou não, tem quem ache que virgindade é doença, ou melhor: sinônimo de sexo ruim, como se quantidade fosse garantia de qualidade. Fazer o quê? – ter o carinho, a paciência e o cuidado necessários (que deveria ter sempre, né?)

Sinceramente?

Ser ou não ser… Virgem, eis a questão?

A preocupação e cuidado com a satisfação afetiva e física que o sexo pode – e deve – proporcionar é o que na verdade deveria ser o mais importante. E não quem é virgem ou não.

O grande empenho deveria ser o prazer e não a perda da virgindade.

Infelizmente, nossa sociedade ainda valoriza muito mais aparências, padrões estabelecidos de certo e errado e preconceitos do que o ser humano e sua real felicidade.





Vouyerismo – prática que consiste em conseguir obter prazer sexual através da observação de outras pessoas envolvidas em atos sexuais, nuas, em roupa íntima, ou com qualquer vestuário que seja apelativo para a voyeur.

Manifesta-se de várias formas, mas a características-chave é que a voyer não interage com a(s) outra(s), que às vezes nem sabem que estão sendo observadas.

A uma relativa distância, talvez escondida, com o auxílio de binóculos, câmeras, webcams, etc., ela apenas observa o que servirá de estímulo para a masturbação durante ou depois da observação.

Em Janela Indiscreta (Rear Window), Hitchcock deu destaque ao voyeurismo. Quem não lembra – e xinga –  James Stewart, com a perna engessada, dispensando uma Grace Kelly deliciosamente oferecida de camisola para ficar espionando os vizinhos com um binóculo?

Brian De Palma também entrou na onda do voyerismo em Dublê de Corpo (Body Double). Melanie Griffith fazendo strip-teases na janela em frente.

Dois ótimos filmes. Recomendo!




Zonas erógenas – São determinados pontos ou trechos sensíveis da pele que, ao toque, desencadeiam uma reação de excitação.

Dê uma de Nicholas Cage e saia em busca da lenda do tesouro perdido!

Tatear, de forma erótica, toda a região genital e outras partes do corpo, como barriga, pernas, bumbum, coxas, mamilos etc é um excelente exercício de descoberta de zonas erógenas, algo que com certeza abrirá caminho para mais prazer e mais orgasmos seus e de sua parceira.

Sexo é mais, muito mais do que região genital e seios. Existem prazeres escondidos em lugares que às vezes a gente nem imagina!



- Seven!

Lembram-se disso?

A cena engraçadíssima e absolutamente inesquecível do seriado “Friends” (“Aquele sobre o Útero da Phoebe” – Episódio 11 da 4ª temporada),  quando Monica lista as zonas erógenas do corpo feminino e explica para Chandler a melhor forma de utilizá-las.

Quem quiser ver ou rever, está disponível em:





Não tema, nem tenha vergonha, ouse!

Possibilidades infinitas. Além da imaginação mesmo. Só depende de você.

E assim, nosso Pequeno Dicionário chegou – enfim! – ao fim.

Espero que tenham gostado, se divertido e obtido mais informações.

Eu aprendi muito. Nada como uma boa pesquisa, hein?

Agora da teoria à prática, né? Não adianta ficar só falando e lendo, tem que fazer. Porque sexo não se pensa, não se planeja, não se prevê. Se sente, faz, vive. Feeling e vontade meninas. Sem pisar nos freios nem preconceitos.

Sempre em busca de técnicas e conhecimentos novos. Muito mais prazer para nós e nossas parceiras.

Orgasmos múltiplos e simultâneos para todas.

Afinal, nós merecemos!




Aviso sobre direitos autorais: Copyright © 2015 por Diedra Roiz
Todos os direitos reservados. Você não pode copiar (seja na íntegra ou apenas trechos), distribuir, disponibilizar para download, criar obras derivadas, adaptações, nem fazer qualquer uso desta obra sem a devida permissão da autora. 


Um comentário:

  1. "O erótico tem sido frequentemente difamado por homens e usado contra mulheres. Tem sido tornado na confusa, na trivial, na psicótica, na plastificada sensação. Por essa razão, temos frequentemente dado as costas à exploração e consideração do erótico como uma fonte de poder e informação, confundindo-o com seu oposto, o pornográfico. Mas pornografia é uma negação direta do poder do erótico, pois ela representa a supressão do verdadeiro sentir. Pornografia enfatiza sensação sem sentimento(...) Para serem utilizados, nossos sentimentos eróticos devem ser identificados. A necessidade de compartilhar sentir profundo é uma necessidade humana. Mas dentro da tradição europeia-americana, essa necessidade é satisfeita por certos proscritos eróticos de gozar-junto. Tais ocasiões são quase sempre caracterizadas por um simultâneo desviar o olhar, uma pretensão de chamá-las outra coisa, seja uma religião, um calhar, violência de multidão, ou mesmo brincar de médico. E esse mal-chamar da necessidade e do ato dá vazão àquela distorção que resulta em pornografia e obscenidade – o abuso do sentir(...) Quando desviamos o olhar da importância do erótico no desenvolvimento e sustentação de nosso poder, ou quando desviamos o olhar de nós mesmas ao satisfazer nossas necessidades eróticas em acordo com outras, nós usamos umas às outras como objetos de satisfação ao invés de compartilharmos nosso gozo no satisfazer, ao invés de fazer conexão com nossas similaridades e nossas diferenças. Nos recusarmos a ser conscientes do que estamos sentindo a qualquer momento, por mais confortável que possa parecer, é negar uma grande parte da experiência, e permitir que nós mesmas sejamos reduzidas ao pornográfico, o abusado, e o absurdo. (Audre lorde, Os usos do erótico)

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