domingo, 6 de fevereiro de 2011

BOTINA OU SANDALHINHA?



Depois de descobrir seu número, ainda é preciso escolher o que calçar?



E então, um belo dia, você se descobre lésbica.


Como, quando, onde, com quem?


Para esta coluna, isto não  importa.


Esqueça!


Vamos pular todas as fases de descobrir, assumir, voltar de Nárnia  (para quem não sabe = sair do armário) e nos ater apenas ao depois.


Depois?


Que depois?


Ora, minha gente…


Sempre existe um depois. Até  mesmo no “E foram felizes para sempre…”


Neste caso, aquele momento em que você é questionada:


- Você é ativa ou passiva?


- Masculina ou feminina?


- Butch ou Femme?


Sua pausa é interpretada como dúvida. Tentam simplificar para auxiliar a sua escolha:


- Vai usar Botina ou Sandalhinha?

Interiormente, você fica perplexa:

- Oi?


E timidamente você levanta o dedinho indicador e pergunta:

- Será que… Eu posso… É… Posso usar as duas coisas?


Surpresa. Espanto. Pavor.


Subitamente você se torna a psicopata do mais assustador e horripilante dos filmes de horror.


- Está louca, sapa? Pirou? O brejo é dividido, meu amor. Como os Montechio e Capuleto, sacou?


Você coloca as duas mãos na cabeça e em desespero grita:


- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!


Mais uma vez o muro de Berlin da opressão de gênero se ergue na sua frente…


Você mudou de lado apenas para descobrir que no fundo, não existe diferença.
 
Mais uma vez o muro de Berlin da opressão de gênero se ergue à sua frente…
 
E então...
 
Você passa a alternar entre All Star e Havaianas, e toda vez que entra numa boate GLS vem alguém perguntar:


- Você é entendida?


Até que um dia, já  sem aguentar, dá a resposta merecida:


- Em muitas coisas, meu amor.


Versatilidade.


Palavra moderna…


Muito mais do que uma palavra, é um modo de vida.


Não me levem à mal. Novamente, eu insisto: nada contra quem quer escolher ou “Isto ou Aquilo”, mas… Neste caso específico, sou obrigada a dizer:


- Sou versátil sim!


A Zebrinha do Fantástico (saudades dela) diria: coluna… Do meio!


Se ao invés de xadrez, a vida fosse uma loteria…


Talvez por isso quando me perguntam:


- Qual o seu tipo de mulher?


Minha resposta é:


- Danço conforme a música.


Obviamente, o que eu prefiro é que a minha mulher toque e me deixe tocar todas as músicas…


(Um parêntese aqui: finalmente consegui!!!)


É vantajoso, sabe?


Pensa: um dia, Vic… (de “O Livro Secreto das Mentiras e Medos”: http://www.diedraroiz.com/p/o-livro-secreto-das-mentiras-medos.html)


Você se arruma toda, capricha na maquiagem, coloca “aquele” sutiã e “a” calcinha (ou então sem calcinha) um vestido ou sainha, sandália de salto.


No outro dia, Angela… (de “Simples como o Amor”: http://simplescomooamorr.blogspot.com.br/)


Sai do banho de cabelo molhado, ajeita com a mão rapidinho, coloca boot, calça baixa larguinha, camiseta e… Cuequinha.


É, é muito bom mesmo.


Uhm… Delícia…


Óbvio que não é fácil. Nem é para o dia a dia.


Normalmente sou do tipo “aquela correria visto qualquer coisa que estiver na minha frente”.


Enfim…


Nitiren Daishonin afirmou:


“Não passe esta vida em vão para depois se arrepender por dez mil anos.”


A vida é curta.


Do mundo nada se leva.


E viemos ao mundo para sermos felizes.


Continuarei batendo na mesma tecla:


Gosto, prazer e desejo? Não se discute! Cada uma com o seu cada um!


E...


É proibido proibir!


postado originalmente em 17 de Setembro de 2009 no site Parada Lésbica na extinta coluna Dizendo Ao Que Vim de Diedra Roiz.




Aviso sobre direitos autorais: Copyright © 2009 por Diedra Roiz
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