sexta-feira, 5 de março de 2010

QUANDO ELA DIZ NÃO



 
 Mafalda - personagem maravilhosa criada em 1964 pelo cartunista argentino Quino.



Paixão platônica, unilateral, impossível. Amor não correspondido.


Quem nunca teve? Quem nunca foi? Impossível não passar por isso.


Faz parte da vida.


Ou não?


Recebi alguns pedidos para falar sobre essa questão, por isso… Vou tentar, apesar de não ter respostas, apenas levantar algumas questões…


Confesso que nunca fui chegada a vias de mão única. A cultivar por alguém um sentimento que a outra pessoa não sente.


Preciso concretizar, realizar, sentir. Não me basta a fantasia.

Sim, porque uma coisa é investir, tentar conquistar. Outra é insistir num mato de onde já sabemos que não vai sair coelho.


Uma vez fiquei com uma menina e fiquei de quatro. Apaixonada, mandava flores, poesias, chocolates – eu tinha só 27 anos, dêem um desconto, tá? – e ela nada. Nem tchum para mim.


Tinha um noivo – era bi – por quem se dizia apaixonada.


Falou com todas as palavras que amava o tal cara.


Fiquei triste?


Arrasada!


Mas…


Fazer o quê?


Insistir? Forçar? Obrigar?


Ficar chorando olhando a foto dela, ou coisa que o valha?


Conheço algumas mulheres capazes de desejar, endeusar, colocar num pedestal pessoas que não querem nada com elas.


Catar avidamente as migalhas dormidas do pão da figura a quem dedicam uma espécie quase masoquista de adoração.


O que me faz pensar: isso é realmente amor?


Não seria um medo de estar numa relação de verdade? Com todos os riscos, perigos e trabalho que isso pode dar? Com uma pessoa real… É preciso muita sabedoria e vontade para fazer funcionar.


A verdade é que para se amar realmente outra pessoa, o primeiro passo é se amar.




“A felicidade não é algo que alguém, como por exemplo, a pessoa amada, pode dar a vocês. Vocês têm de conquistá-la por si próprios. E o único caminho para isso é o desenvolvendo sua própria personalidade e capacidade como seres humanos, maximizando o seu potencial.” (Daisaku Ikeda)




Claro que amar só a si mesma é egoísmo.


Mas amar somente aos outros… É hipocrisia. Não é amor de verdade.


Outro dia, conversando com uma amiga, ela me disse algo absolutamente sensível, de uma sabedoria inquestionável:


- Descobri que o amor pode ser calmo. Que não precisa ser um sofrimento para ser grande. A medida do quanto amo não está em quanto me desespero, como antes pensava. Só sofro se eu quiser, o sofrimento é opcional.


Totalmente de acordo com o que Daisaku Ikeda afirma:




“Por favor, não sucumbam à visão de que o amor é tudo, iludindo-se com o pensamento de que o amor é tudo. Espero também que não sigam a visão distorcida de que envolver-se num relacionamento tumultuado e obsessivo é um “doce sofrimento.”




Isso me fez parar para pensar.


E ver o quanto eu também tinha essa ideia de amor de folhetim, completamente errada.


Porque nas novelas, romances e contos, o conflito é fundamental. As personagens sofrem – quanto mais, melhor – numa expurgação cristã, purificação, redenção necessária para que possam obter então o merecido e desejado final feliz.


Porém, na vida real, é exatamente o contrário, não?


A tendência natural de um namoro ou casamento repleto de brigas, conflitos, sofrimento e mágoas é terminar.


Como Rhett Butler deixando Scarlet O`Hara – depois de ter feito tudo para conquistá-la durante anos sem um mínimo de retorno – no final totalmente perfeito de “E o Vento Levou…” com a explicação de que até o amor mais profundo termina, quebra, se desfaz ao se chocar repetidamente contra a frieza, o não ceder, a indiferença, a falta de cuidado ou de resposta da outra pessoa…


- Frankly, my dear, I don´t give a damn… (Francamente, querida, eu não ligo a mínima)


E vai embora na neblina…


Fabuloso, não?


O que nos faz voltar ao amor não correspondido…


Insistir nisso para quê?


Para mim está fora de questão.


A felicidade.


Essa eterna busca de todo ser humano.


Não está em nenhum lugar, muito menos em outra pessoa.


Simplesmente porque não se encontra fora, e sim dentro de nós.




Por isso talvez – posso estar completamente errada – amor platônico, unilateral, impossível parece não ser nada além de fantasia. Tentativa de fuga do amor de verdade.


Faço minhas as palavras do meu mestre:




“O verdadeiro amor não consiste de duas pessoas apegadas uma a outra; ele somente pode existir entre duas pessoas fortes e seguras de sua individualidade.” (Daisaku Ikeda)


“ O amor deveria ser a força que auxilia as pessoas a expandirem suas vidas e a manifestarem o seu potencial inato com uma vitalidade dinâmica e revigorante. Isto seria o ideal mas, como diz o ditado “O amor é cego”, as pessoas normalmente perdem de vista seus objetivos quando se apaixonam.” (Daisaku Ikeda)


“Acredito realmente que o amor deve ser uma força positiva para nossa vida, uma força motriz que nos estimula a viver corajosamente.” (Daisaku Ikeda)




Não duas pessoas se fitando.


Muito menos uma olhando para outra sem retorno.


O amor.


Esse pulsar incessante, imprevisível, inebriante…


Uníssona sintonia entre duas pessoas.


Voltadas juntas na mesma direção. 


postado originalmente em 02 de Abril de 2009 no site Parada Lésbica na extinta coluna Dizendo Ao Que Vim de Diedra Roiz.







Aviso sobre direitos autorais: Copyright © 2009 por Diedra Roiz
Todos os direitos reservados. Você não pode copiar (seja na íntegra ou apenas trechos), distribuir, disponibilizar para download, criar obras derivadas, adaptações, fanfictions, nem fazer qualquer uso desta obra sem a devida permissão da autora. 




6 comentários:

  1. Adorei a leitura.
    Amei tuas palavras e de Daisaku Ikeda.

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    1. Cabrita,
      Ikeda Sensei 4EVER!!!
      kkkkk
      bjo suuuuuuuper mega giga, amiga querida!

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  2. Não gostei! Queria mais do que VOCÊ pensa e menos citações. Rsrss é claro que o tema é um terreno perigoso que por mais brilhante que seja a sua escrita, sempre deixa bastante a revelar sobre si mesma. Você começou bem, falando da sua história mas depois ficou meio sem identidade... Eu acho que esse tema só consegue prender a atenção do leitor qdo fica no terreno pessoal.
    O amor é fascinante e é preciso a coragem dos poetas pra falar sobre ele ;) Que me perdoem os sábios, mas esse não sabem nada do amor!!!

    Todas as cartas de amor são ridículas
    Não seriam cartas de amor, se não fossem ridículas
    Também escrevi, no meu tempo, cartas de amor como as outras, ridículas
    As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas
    Quem me dera o tempo em que eu escrevia, sem dar por isso, cartas de amor ridículas
    Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas.

    Enfim, nesse texto senti falta de um pouco mais de Diedra Roiz e não concordo com a ideia de que o amor seja tão pequeno.

    Bjo!

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    1. Chris, escrevi em 2010...
      Mas eu realmente não tenho muito o que dizer pois não tenho experiência em rastejar... Sou sagitariana demais, ou talvez geminiana demais pra isso... kkk
      Eu nunca tive paciência.
      Como dizem os "manezinho da ilha":
      - Se queres, queres. Se não queres, dizes...
      Mas...
      Óbvio que já sofri por amor.
      E por isso te digo, por experiência própria: se faz sofrer, resolve isso, pq ainda não encontrou a pessoa certa, a pessoa certa é aquela com quem as duas juntas são felizes...
      Ao invés de: apesar de tudo, eu amo muito el@...
      Eu amo el@ e não quero outra coisa, é maravilhoso!
      Sabe como?
      ;)
      Em que momento eu disse que o amor é pequeno?
      Eu disse que o amor constrói, não destrói.
      Amor de verdade tem que ser recíproco.
      Se vc acha isso pequeno...
      Fazer o quê, linda?
      Com relação a citação do trecho do poema do Fernando Pessoa (não se esqueça que citar texto sem dar crédito ao autor é igual a dizer que o texto é seu e isso configura plágio).
      As cartas de amor são ridículas: não significa sofrimento, mas que a pessoa se expõe quando ama...
      Mas claro que vc pode interpretar de outra forma, este é apenas meu ponto de vista, verdades absolutas não existem.
      Cá entre nós: pelo visto, mesmo sendo pelo incômodo, de alguma forma esse texto te incomodou, mexeu com vc. Pelo menos pareceu...
      Esse é o objetivo!
      Obrigadíssima pelo comentário, linda!
      bjo muito mais que suuuuuuuuuuuper ultra mega hiper imensamente giga no coração!

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    2. Sim Diedra, me desculpe! Eu realmente esqueci de colocar entre aspas o texto de Fernando Pessoa, sorry! É que eu estava escrevendo e ao mesmo tempo falando no zap com o meu amor ;)
      E sim mais uma vez, eu acho pequeno esse papo de amor correspondido ou amor do bem. O amor não é qualquer coisa, muito menos algo que se encaixa com perfeição em nossas vidas. Eu tenho um grande amor que já dura 16 anos, são 16 anos de um casamento lésbico contra tudo e contra todos. Já passamos tantas coisas difíceis e ainda assim valeu a pena!
      O amor nos faz crescer e nem sempre é fácil ser o que o outro espera da gente. Quem pensa que vai viver um amor e não vai sofre (risos) nunca amou!!!

      "Quem já passou
      Por esta vida e não viveu
      Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
      Porque a vida só se dá
      Pra quem se deu
      Pra quem amou, pra quem chorou
      Pra quem sofreu, ai

      Quem nunca curtiu uma paixão
      Nunca vai ter nada, não

      Não há mal pior
      Do que a descrença
      Mesmo o amor que não compensa
      É melhor que a solidão

      Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
      Pra que somar se a gente pode dividir?
      Eu francamente já não quero nem saber
      De quem não vai porque tem medo de sofrer

      Ai de quem não rasga o coração
      Esse não vai ter perdão!"
      Vinicius de Moraes

      Quanto ao texto ter mexido comigo, ADORO!!!! ;) Beijos!!!

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    3. Precisei apontar isso de dar crédito ao autor pq é SUPER importante e muita gente não sabe... E estamos no meio de uma grande luta contra o plágio, então... Não podemos deixar passar, né? ;)
      Ahaaaaaaa!!!
      Viu?
      16 anos juntas!
      Amor correspondido! ;)
      kkkkk
      Bom, nunca sofri por causa do meu amor pela Wind.
      (no texto deixei bem claro que não estou falando em momento algum de sofrer por causa de elementos e fatores externos, mas de quando a relação é do tipo "quanto mais vc pisa mais a pessoa gruda no pé")
      Repito: o amor constrói, não destrói.
      E se o texto mexeu com vc quando leu... Eeeeeeeeeh!!!
      Existe pra quem escreve algo melhor do que isso?
      bjo suuuuuuuuper gigantesco no coração das duas! Toda a felicidade do Universo pra vcs!

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