sábado, 27 de março de 2010

O QUE OS OLHOS NÃO VÊEM...

 Real Gabinete Português de Leitura - ESCÂNDALO!!!
Ontem tive a imensa boa sorte de fazer um tour pelo centro do Rio de Janeiro.
Sim, sou carioca e moro na cidade maravilhosa desde o dia do meu nascimento.
Parece estranho fazer um tour num local que conheço tão bem?
Entendam:
Desde que minha gaúcha veio ao Rio pela primeira vez, percebi uma infinidade de coisas, lugares e pessoas que antes eu nunca havia captado.
Enxergar.
Não é o mesmo que ver.
 E muitas vezes - na verdade eu arriscaria dizer que normalmente – ousar tentar ver pelos olhos de outra pessoa nos faz crescer.
Provar ou pelo menos tentar compreender outros pontos de vista – ao invés de encarar o nosso como verdade certa, absoluta e única – é uma bela forma de se viver.
Nossos olhos escolhem, ou por pura preguiça talvez se habituem a só ver o que estão acostumados, o que interessa, o que querem.
Exatamente por isso focá-los de forma diversa da que usualmente fazemos, nem que seja apenas vez por outra, é imprescindível mesmo.
Voltando ao passeio em questão:
Proporcionado por uma pessoa com quem até então eu não tinha muita intimidade, e que depois de horas - até poucas em quantidade, mas em qualidade únicas! – passei a considerar amiga, fez com que eu olhasse com atenção para a cidade em que moro.
Nas milhares de coisas, lugares e pessoas, que por estarem sempre nos pareçam comuns, habituais, banais mesmo, não recebem a atenção merecida, entendem?
Tipo: passo sempre por aqui, estou com ela todo dia, depois eu faço, depois eu vejo, depois eu penso...
Tudo que protelamos, arrastamos, “empurramos com a barriga”, achando que um dia teremos tempo.
Andar pela vida desligada, correndo, sem qualidade de tempo, aproveitamento, apreço.
No manicômio cruel da vida moderna, onde insanidades são o padrão de razão estabelecido, há de se lembrar sempre que nas pequenas coisas está a verdadeira essência de uma vida intensa e plena.
Mais fotos do tour:

4 comentários:

  1. eu adoro andar pelo Rio, sempre que eu posso ir, e a cada vez que vou, posso passear sempre pelo mesmo lugar, mas vejo este lugar de diferentes formas a cada dia.

    beijão.

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  2. A primeira vez que fui ao Rio, em um trabalho de campo, tive o prazer de ouvir coisas interessantes dos lugares que fomos. Um dos que mais gostei foi exatamente o centro. Preciosidades escondidas em cada rua, em cada prédio.

    E bem, de um olhar para o outro, as coisas mudam tanto, não é? Por isto é sempre sensato não ter um 'conhecimento fechado' sobre as coisas todas.

    Bjus o/

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  3. Não conheço o Rio (Para grande pena minha) mas o mesmo se pode dizer de todas as cidades que amamos, de todos os lugares que os nossos passos conhecem bem e que o olhar nem sempre está desperto.
    Um abraço de Lisboa :)

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  4. Concordo com vc Diedra,o Real Gabinete Português de Leitura é no mínimo deslumbrante;nada do que eu escrever aqui,expressará de forma fidedígna o impacto que ele provocou em mim qdo ali adentrei, então,limito - me a dizer - já que a percepção e as sensações são próprias de cada um(a) - que é um local imperdível em qualquer roteiro de visitação ao RJ.
    Não tenho dúvidas que essas essas poucas horas tão ricas de conteúdo em todos os sentidos,também foram sentidas e saboreadas pela pessoa até então distante à sua percepção. Que a semente da
    amizade - no sentido literal da palavra - plantada,crie raízes,cresça e floresça."É bom ter um amigo, mesmo se a gente vai morrer".Acredito nisso.
    Mais um dos seus textos perfeitos,que expressa o fruto de uma reflexão do que aparentemente não haveria necessidade de refletir e no entanto,vem a redescoberta.Teve como ponto de partida um olhar coletivo, com um enxergar único no ponto de chegada;ultrapassou fachadas, penetrou no interior e sentiu e descobriu a essência.BRILHANTE.
    Parabéns pelo texto e obrigada por nos doar a sua essência.

    Um abraço do meu jeito

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